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Shannon Stapleton/Reuters

Criação forte de vagas nos EUA deixa portas abertas para nova alta dos juros

Geração de quase 300 mil postos de trabalho no país em dezembro traz alívio para preocupações com o crescimento da economia americana e abre caminho para o BC americano fazer um novo reajuste em março

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Altamiro Silva Junior, correspondente,
O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2016 | 15h39

NOVA YORK - A forte criação de vagas nos Estados Unidos em dezembro, de 292 mil postos, mantém as portas abertas para uma nova elevação de juros no país na reunião de março dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), desde que a turbulência no mercado financeiro que marcou esta semana se acalme, avaliam economistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado.

Até a reunião de março, o Fed terá tempo de avaliar eventuais impactos causados no país pela turbulência provocada principalmente por preocupações com a China. Os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram a pior abertura de ano da história, segundo levantamento do jornal Barron's, considerando os quatro primeiros pregões. Os dirigentes terão também mais dois relatórios de emprego dos EUA para avaliar como a maior economia do mundo começou 2016, destacam os analistas.

Expressões como "muito positivo", "impressionante", "forte" e "robusto" foram usadas nesta manhã por economistas e analistas de Wall Street para descrever o relatório de emprego, também chamado de payroll. O documento, porém, teve um dado que não agradou. Para o economista do banco de investimento Jefferies, Thomas Simons, o indicador ruim é que os salários permanecem estagnados nos EUA. Em dezembro, o ganho por hora trabalhada caiu 0,04% na comparação com novembro, enquanto se esperava alta de 0,20%.

Apesar do número fraco, Simons afirma que a sinalização é de que uma aceleração dos ganhos das famílias deve ocorrer neste começo de 2016, na medida em que mais vagas são geradas e o desemprego recuar ainda mais. "A melhora dos salários deve ajudar a amenizar algumas preocupações sobre o crescimento doméstico que surgiram na última semana devido à turbulência na China", destaca ele.

A expectativa de que os salários devem se recuperar em 2016 também é ressaltada pelo diretor e especialista em mercado de trabalho do instituto The Conference Board, Gad Levanon. "Se a criação de emprego continuar neste mesmo ritmo, os salários vão se acelerar este ano", afirma ele, destacando que os dados de dezembro mostraram criação forte de vagas em todos os setores, não apenas naqueles ligados ao comércio de final de ano. Levanon também prevê queda da taxa de desemprego nos próximos meses para uma patamar abaixo de 5%, o que não ocorre desde 2007.

Na avaliação da economia-chefe da Standard & Poor's, Beth Ann Bovino, o relatório de emprego de dezembro finalmente é uma boa notícia neste começo de 2016, marcado até agora apenas por dados negativos. A criação de vagas melhor que o previsto em dezembro e as revisões para cima nos dados de outubro e novembro ajudam a manter a aposta de que o Fed fará quatro elevações de juros este ano, a primeira delas na reunião de março, escreve a economista em um relatório a clientes.

O economista-chefe do Bank of Tokyo-Mitsubishi, Christopher Rupkey, também prevê aumento do juro em março, de 0,25 ponto. Para ele, mesmo com o estresse causado pela China e questões geopolíticas, os indicadores domésticos dos EUA mostram força e ainda corroboram um novo aumento. "Os riscos provenientes da China são exagerados", disse ele.

"A força do mercado de trabalho mostrada pelo relatório deve manter o Fed nos trilhos para elevar os juros em março, desde que a volatilidade no mercado financeiro dê uma trégua", afirma o estrategista do Canada Imperial Bank of Commerce (CIBC), Andrew Grantham. Para ele, depois do encontro de março, vai ser preciso uma aceleração mais forte da inflação nos EUA para convencer os membros com perfil mais "dovish", ou seja, favoráveis a juros menores, a elevar as taxas novamente. A ata da reunião do Fed de dezembro mostrou alguns dirigentes preocupados com a inflação baixa nos EUA e uma decisão apertada para subir os juros.

Investidores. Enquanto os economistas e analistas veem chances de uma alta de juros em março, os investidores vêm reduzindo suas apostas de aumento para este encontro do Fed. Os dados dos negócios no mercado futuro na bolsa de Chicago indicam probabilidade de 44% de alta das taxas naquela reunião. No começo da semana, o porcentual estava em 55% e após a divulgação da ata do Fed na quarta-feira caiu para 51%.

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