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Economia

Inflação

Crise atinge até a compra de papel higiênico

Nem população de maior renda escapou do corte nas compras, aponta Kantar Worldpanel

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Márcia De Chiara,
O Estado de S.Paulo

10 Março 2016 | 05h00

O brasileiro está economizando até no papel higiênico por causa da crise. Em 12 meses até fevereiro, o preço do papel higiênico subiu 13,20% no varejo, bem acima da inflação geral acumulada no período, de 10,36% segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Com esse avanço significativo de preço de um item tão básico, houve uma redução das compras do produto. Se, em 2014, consumidores das classes A e B compraram papel higiênico 12 vezes, no ano passado essa frequência caiu para 11 vezes, revela pesquisa da Kantar Worldpanel, que monitora semanalmente o consumo de 11 mil famílias no País. Movimento semelhante ocorreu com as famílias da classe C, que cortaram em 2015 uma vez o produto da lista de compras. Em 2014, essas famílias compraram papel higiênico 13 vezes e, em 2015, foram 12 vezes.

Já entre a população de menor renda, as compras de papel higiênico não foram reduzidas. “As classes De E não têm mais onde cortar. Por isso, o número de categorias que elas estão enxugando as compras é bem menor comparado com estratos sociais de maior renda”, afirma a diretora comercial da consultoria e responsável pela pesquisa, Christine Pereira.

Entre os mais pobres, o foco da redução de compras foi o açúcar, produto que teve o seu preço majorado 45,2% em 12 meses até fevereiro, de acordo com o IPCA. Em 2014, o açúcar fazia parte da lista de compras das famílias das classes D e E em 18 vezes que elas iam ao supermercado. No ano passado, essa frequência tinha caído para 17 vezes.

O corte mais radical ocorreu no refrigerante e no leite de saquinho (pasteurizado), que atingiu todos os estratos sociais. Ambos os produtos subiram acima da inflação em 12 meses até fevereiro. O leite ficou 15,62% mais caro e o refrigerante e a água mineral subiram 11,97%. No caso do refrigerante, Christine observa que, em busca de economia, as famílias estão restringindo o consumo a momentos especiais, como o fim de semana, por exemplo.

“A racionalização nas compras é generalizada”, afirma a diretora. Tanto é que pela primeira vez desde 2006, quando a consultoria começou a acompanhar o consumo familiar no País, no ano passado o brasileiro levou uma menor quantidade de produtos para casa. A retração no volume de uma cesta de 96 categorias, que inclui alimentos, bebidas e artigos de higiene e limpeza, foi de 8% em 2015 em comparação com 2014.

Padrão. Na tentativa de ainda manter algum padrão de consumo, especialmente daqueles produtos aos quais ele teve acesso nos últimos tempos, como creme cheese e antisséptico bucal, por exemplo, o brasileiro optou por não tirar esses itens da sua lista de compras, mas decidiu reduzir a frequência com que leva esses produtos para casa. Em outras crises, diz, os produtos tidos como supérfluos eram suprimidos da lista de compras. Agora, as famílias reduziram o consumo, mas mantiveram o produto.

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