Crise aumenta venda de produtos baratos e premium, diz Nestlé

Gigante de alimentos suíça está vendo no País o mesmo fenômeno verificado no mercado europeu em 2009

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2015 | 02h04

As vendas da Nestlé têm crescido no ritmo anual de um dígito no Brasil nos últimos trimestres, resultado que a empresa considera positivo diante da fraqueza da economia, afirmou ontem o vice-presidente executivo do grupo para as Américas, Laurent Freixe, acrescentando que vê potencial para melhora no médio e longo prazos.

"Temos visto aumento de um dígito das vendas, o que é bom dentro do contexto", disse Freixe. "É difícil fazer previsões. Mas acho que haverá um período de ajustes na economia", declarou.

Ele evitou dar números precisos sobre o desempenho da operação brasileira. No primeiro semestre, segundo balanço da empresa, o faturamento da Nestlé nas Américas cresceu 6,6%, num desempenho melhor que o resultado global que mostrou avanço de 4,5% apoiado em reajustes de preços.

"A economia permanecerá pressionada, mas, no médio e longo prazos, há potencial (de crescimento)", completou. O Brasil é o quarto maior mercado da Nestlé, depois de Estados Unidos, China e França.

Segundo Freixe, o mercado brasileiro está passando pelo mesmo fenômeno verificado na Europa durante a crise de 2009, quando houve maior demanda por produtos premium e também pelos mais baratos. A crise, segundo o executivo, afeta mais os produtos intermediários, uma vez que os consumidores valorizam mais a relação entre custo e benefício.

Entre os exemplos de produtos premium da Nestlé estão o café em cápsulas Nescafé Dolce Gusto e a água Perrier. Entre os mais baratos estão o macarrão Maggi ou a linha de produtos lácteos Ideal. Já os intermediários incluem o achocolatado Nescau e biscoitos Passatempo.

"É interessante ver que algumas das nossas marcas mais bem sucedidas são marcas premium. É 'contra intuitivo' mas, na crise, as pessoas buscam valor", declarou.

De acordo com Freixe, na América Latina os mercados da Nestlé mais afetados pela desaceleração econômica são as economias mais dependentes de commodities, como é o caso do Brasil e da Venezuela. Segundo ele, na comparação regional, o mercado colombiano tem tido desempenho melhor.

Sobre investimentos no Brasil, Freixe declarou sem citar valores que "nada muda", apesar da entrada do país em situação de recessão técnica no segundo trimestre, uma vez que a companhia mira o longo prazo.

"Acreditamos no potencial do país no médio e longo prazos, então, estamos mantendo nossos planos", disse o executivo. Ele citou como exemplo a construção de uma nova fábrica da farmacêutica Galderma, subsidiária da Nestlé Skin Health, em Hortolândia (SP), e fábrica do Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros (MG), com investimentos de cerca de R$ 200 milhões cada.

Segundo o executivo, o tamanho do mercado consumidor brasileiro justifica investimentos em expansão da capacidade e em pessoal. Freixe defendeu a necessidade de investimentos de longo prazo num momento em que a companhia lança aqui um programa de capacitação e treinamento de jovens.

A companhia lançou ontem um projeto de capacitação de jovens até 24 anos em cidades nas quais possui unidades fabris. A meta é contratar 7 mil pessoas com menos de 30 anos até 2017. Os montantes a serem investidos não foram especificados.

A Nestlé tem atualmente 23 mil funcionários diretos no Brasil, onde tem 31 fábricas./Reuters e Dayanne Sousa

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