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Economia

Crise Econômica

Crise derruba vagas temporárias de Páscoa

Indústria e comércio vão oferecer este ano 55 mil postos de trabalho, 35% a menos do que no ano passado

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Márcia De Chiara,
O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 07h30

A crise derrubou não apenas o emprego regular, mas também as contratações temporárias para datas comemorativas. Para a Páscoa, a expectativa é que 55 mil vagas sejam abertas na indústria e no comércio em todo o País. É um número 35% menor em relação às vagas temporárias abertas no mesmo período de 2015 e a menor marca desde 2009, quando a Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt) iniciou o levantamento. “O cenário é preocupante: o mercado não está aquecido e as empresas estão contratando muito pouco”, diz a gerente da Fenaserhtt, Joelma de Matos Dantas.

Desconfiança. De acordo com a pesquisa, que tem como amostra as empresas de trabalho temporário que prestam serviços para o varejo de hiper e supermercados, lojas especializadas, grandes redes de departamento, fabricantes de chocolates e de bolos para a Páscoa, 36 mil vagas foram preenchidas até agora e 19 mil estão abertas. Em outros anos, diz Joelma, havia um número maior de vagas preenchidas. Isso revela a desconfiança dos empresários em relação à situação da economia.

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio, não concluiu as projeções de contratações de temporários no comércio para a Páscoa, mas acredita que o número de vagas oferecidas será menor do que em 2015. 

Bentes diz que em todas as datas comemorativas do ano passado o desempenho do comércio foi ruim, com queda de vendas em relação ao ano anterior. O Natal registrou queda de 5% nas vendas. Como neste ano o cenário piorou, não há razões para acreditar num crescimento de vendas e aumento de contratações, diz Bentes.

Ajuste. Um resultado que chama a atenção na pesquisa da Fenaserhtt é que, pela primeira vez, a maior fatia de temporários está no varejo, e não na indústria, como ocorria em anos anteriores, sinal de que as fábricas estão se ajustando mais rapidamente à realidade de um mercado menor. Também, em épocas de crise, o esforço de vendas do varejo acaba sendo maior, o que demanda mais mão de obra em relação à indústria. Já em anos de bonança, o foco geralmente estava na ampliação da produção, porque as vendas eram praticamente certas.

Em relação aos salários oferecidos, Joelma ressalta que não houve ganhos reais, isto é, descontada a inflação, em relação ao ano passado. “Os aumentos acompanharam o INPC”, diz Joelma. Em 12 meses até janeiro, o indicador acumula alta de 11,31%. Quanto à perspectiva de efetivação de temporários, a pesquisa aponta um aproveitamento de 12%.

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