WILTON JUNIOR | ESTADÃO CONTEÚDO
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Crise política pode atrasar recuperação da economia em pelo menos um ano, diz Moody's

Para a agência de risco, impeachment de Temer causaria 'estresse' ao País, fazendo famílias e empresas adiarem decisões de investimentos e consumo

Altamiro Silva Júnior, Broadcast

22 Maio 2017 | 19h55

A crise política pode atrasar a recuperação da economia brasileira em pelo menos um ano, avalia a Moody's Analytics nesta segunda-feira, 22, em uma análise pouco otimista da recente turbulência em Brasília. A piora do ambiente deve afetar a incipiente recuperação da economia e pode prolongar a recessão.

O diretor da Moody's Analytics, Alfredo Coutino, afirma que um impeachment do presidente Michel Temer seria o pior cenário para o País, por conta da demora do processo e da elevada incerteza que acompanharia os trâmites no Congresso, fazendo empresas e famílias adiarem decisões de investimento e consumo. A volatilidade no mercado também ficaria elevada durante a tramitação do processo. "Considerando que o processo de impedimento de Dilma Rousseff durou 8 meses, um outro pode não se concluído até 2018", ressalta ele.

A demora do processo de impeachment colocaria o Brasil em um ambiente de "tremendo estresse", prolongando a recessão que já afetou pesadamente a economia em 2015 e 2016. Um cenário menos danoso seria o de uma rápida solução para a permanência de Temer no Planalto, possivelmente por meio de uma renúncia. O peemedebista, porém, já declarou repetidas vezes que não pretende renunciar.

"Em qualquer dos casos, a economia brasileira vai sofrer", afirma Coutino. No curto prazo, o fim da recessão seria adiado e a agenda de reformas comprometida, afetando a confiança de empresários e investidores, com repercussões para o médio prazo. Nesse contexto, a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) pode ser atrasada em pelo menos um ano, escreve o diretor da Moody's.

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"Se o ambiente político piorar, a recessão será estendida e a recuperação adiada", diz Coutino, destacando que o Brasil foi "chacoalhado" na semana passada por mais um escândalo político. Apesar da elevada impopularidade de Temer, a estratégia do peemedebista previa maior disciplina fiscal e monetária, além de uma forte agenda de reformas. Foi isso que garantiu o apoio dos mercados e dos investidores ao governo Temer e colocou a economia em curso para sair da recessão, destaca a Moody's. Agora, tudo isto está ameaçado, afirma o analista.

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