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De Bernanke a Yellen, uma política previsível

O Estado de S.Paulo

22 Junho 2014 | 02h 05

O banco central norte-americano (Fed) reduziu em US$ 10 bilhões o volume de compra de ativos, manteve a taxa básica de juros entre zero e 0,25% ao ano e reafirmou o compromisso com uma política monetária de acomodação por mais um bom tempo. Esses foram os principais resultados da reunião do comitê de política monetária (Fomc), quarta-feira. Eles bastam para reafirmar a estabilidade da política do Fed, iniciada por Ben Bernanke na crise de 2008 e mantida por sua sucessora, Janet Yellen, que assumiu o cargo neste ano. O efeito sobre os mercados foi positivo.

O ritmo da atividade econômica nos EUA diminuiu, no primeiro trimestre, por conta de fenômenos climáticos que afetaram a produção e dificultaram a circulação de mercadorias e de pessoas - e, portanto, a produção e o consumo.

A projeção do Fed é de um crescimento econômico entre 2,1% e 2,3% em 2014, menos do que se previa no ano passado (2,9%). Mas a projeção melhorou para 2015 (de 3% para 3,2%) e 2016 (de 2,5% para 3%). Como afirmou Yellen, "a atividade econômica está se recuperando neste trimestre e vai continuar crescendo em ritmo moderado".

O colegiado do Fed previu, pela segunda vez neste ano, que a taxa básica de juros voltará a subir no final de 2015 para 1,2% ao ano. Mas as projeções para a taxa básica no longo prazo (após 2016) são de queda, de 3,88% ao ano para 3,78% ao ano, em relação à reunião anterior do Fomc, realizada em março.

Para os que pagam juros para se financiar, quanto menos eles oscilarem, mais favorável será o ambiente de negócios. Em economias desenvolvidas e com grande dependência de crédito bancário, como a americana, seriam enormes os custos de duas guinadas nos juros em menos de três anos, como ocorreu no Brasil: baixa do juro básico de 12,5% ao ano (julho/2011) para 7,25% ao ano (março/2013), seguida de alta para 11% ao ano (maio/2014).

O Fed prevê uma inflação de 2% ao ano em 2015 e 2016, acima das previsões anteriores. Ainda assim, a política de compra de ativos não se alterou, o que dá tempo para o ajuste das economias local e global. Com a recuperação lenta da União Europeia e a desaceleração da China, cresceu o peso relativo dos EUA na economia global. As previsões para os juros de longo prazo recomendam que não se espere crescimento acelerado.

O Brasil deve se preparar para isso na hora do ajuste, provavelmente, após as eleições.

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