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Celso Ming

Desânimo

Se voltar o crescimento econômico, tudo ficaria mais fácil, mas não há mágica para que isso aconteça sem que se arrume a casa

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Celso Ming

22 Fevereiro 2016 | 21h00

Como na questão do ovo e da galinha, os economistas não vão concluir nunca o que vem primeiro: se a queda da atividade econômica ou se o desânimo. O fato é que são fatores que se reforçam e quanto mais negativos forem, maior a dificuldade de uma virada.

Nesta segunda-feira saiu o Índice de Confiança do Empresário Industrial levantado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o que se viu foi pequena recuperação na prostração, como se observa no gráfico. O empresário, que começou o ano pouco animado, continua sem confiança, mas aparentemente se mostra disposto a acreditar.

Essa prostração de corações e mentes tem correlação com a prostração da economia. Agora já se sabe que a queda do PIB no biênio 2015-2016, se não ultrapassar os 8%, deverá ficar muito próxima disso, numa conjuntura em que outros resultados fortemente negativos também concorrem para piorar tudo: inflação acima do teto da meta; juros básicos a 14,25% ao ano; rombo fiscal recorde; desemprego a caminho dos 10%; dívida bruta avançando também para os 80% do PIB; rebaixamentos seguidos da qualidade dos títulos do Brasil...

Tudo isso vai potencializado pela crise política e pela inércia do governo, que não consegue propor outra coisa senão aumento de impostos. Pelo menos já não repete que são os comentaristas e analistas da economia que espalham derrotismo e não conseguem ver outra coisa senão o copo meio vazio.

Não dá para dizer algo melhor do que isso porque o governo Dilma tem uma concepção equivocada do que seja um ambiente adequado de negócios. Entende que basta estimular o consumo com créditos favorecidos e programas subsidiados para que, em seguida, seja liberado o espírito animal do empresário, os investimentos se façam e criem-se empregos em profusão.

E, no entanto, nada disso se sustenta se os fundamentos da economia não estiverem assentados em bases sólidas. Se as contas públicas continuarem tão descontroladas como estão, os aumentos de impostos obtidos em bases voluntaristas, como vem sendo tentado, não conseguirão dar conta do recado. Nem três CPMFs conseguirão reequilibrar as finanças públicas se não houver controle confiável das despesas, reformas em andamento e inflação na meta. O anúncio de um corte de R$ 23 bilhões nas despesas públicas, feito sexta-feira pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, poderia ser uma iniciativa na direção correta, embora altamente insuficiente, para dar um rumo para a economia. No entanto, nada garante que esse corte seja cumprido, porque este governo não sustenta o que promete nem cumpre metas.

Ah, sim, se voltar o crescimento econômico, tudo ficaria mais fácil. É verdade, aumentaria a arrecadação, viriam os empregos, a renda nacional voltaria a crescer. Mas, depois de tantos equívocos de política econômica, não há mágica capaz de recuperar a atividade econômica sem que antes se arrume a casa, especialmente num ambiente externo que não ajuda.

CONFIRA

Aí estão as projeções do mercado global do petróleo até 2021.

O peso dos estoques

“É tentador, mas também muito perigoso, afirmar que estamos num nova era de preços baixos do petróleo” - avisou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Seus analistas, porém, entendem que não há perspectiva de recuperação forte dos preços. Tudo sugere que produção e consumo voltem a se reequilibrar em 2017. Mas até lá um volume enorme de estoques terá se acumulado, de 900 mil barris por dia em 2014, 2 milhões em 2015 e 1,1 milhão em 2016.

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