Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)/Reprodução
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Desembarque de carga de bois vivos em Santos pode demorar até 30 dias, diz governo

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que vai recorrer da decisão de suspender exportação dos animais juntamente com a Advocacia-Geral da União (AGU)

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 16h03

O Ministério da Agricultura elabora um plano de desembarque dos 25.197 animais da Minerva Foods, que estão em um navio atracado no Porto de Santos e impedidos de deixar o país por conta de decisão judicial. O Broadcast Agro apurou com técnicos do ministério que a complexa operação demoraria ao menos um mês e que a melhor saída seria a liberação da embarcação judicialmente, o que levou o governo a recorrer da decisão em primeira instância tomada na sexta-feira, 2, que suspendeu a exportação de animais vivos no País.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se pronunciou neste domingo e disse que recorrerá nesta segunda-feira, 5, juntamente com a Advocacia-Geral da União (AGU). O juiz Djalma Moreira Gomes,  da 25ª Vara Cível Federal de São Paulo, concedeu liminar ao pedido feito pela ONG Fórum Nacional de Proteção Animal.

A operação de desembarque envolveria a contratação de 60 funcionários, o destino de ao menos 860 caminhões para o transporte dos animais, bem como a busca locais para abrigar os bovinos. Mais um entrave seria a necessidade de deixar os animais em quarentena, já que eles se alimentam de feno importado, que pode conter pragas exóticas às pastagens brasileiras. Outro risco é o do contato dos bois com funcionários da embarcação que, anteriormente, possam ter participado de outros embarques em outros países, o que também traria uma ameaça à sanidade do País.

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Se o impasse não for resolvido judicialmente, como tenta o governo, os animais terão de ser hidratados com uma operação montada para trazer água doce do continente, pois a embarcação não está em funcionamento e não há o processamento de dessalinização da água do mar para o consumo interno. Não é possível também limpar fezes e urina dos animais, o que pode provocar um forte odor de amônia e aumentar o risco de mortalidade.

Indignação. Algumas das principais associações e entidades do agronegócio nacional criticaram a suspensão da exportação de animais vivos em todo o país.  Na visão do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), a decisão de bloquear o transporte dos animais que estava programado gera mais problemas aos animais e afeta a imagem do Brasil. 

 “Apelamos às autoridades para que o bom senso, a legalidade e o conhecimento científico voltem a ser os balizadores de decisões, com urgência, nessa matéria, pois prejuízos totalmente desnecessários e sofrimentos inimagináveis estão sendo impingidos a pessoas e animais, enquanto as medidas legais, com base técnica e de competência não forem adotadas”, disse o presidente da etidade Inácio Afonso Kroetz.

Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) “é inadmissível assistirmos de braços cruzados tamanha injustiça. Sem dúvida, este é um grande entrave que traz insegurança a toda classe produtiva, que coloca alimento na mesa dos brasileiros e sustenta economicamente este país”.

Outra entidade a se manifestar foi a Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (ABEG). Segundo a associação, “as decisões judiciais que proibiram o embarque de animais vivos no Porto de Santos, exaradas sem a oitiva de todos envolvidos e com forte conteúdo emocional, revelam antes de tudo um profundo desconhecimento do que representa o setor de exportação de gado vivo para o Brasil e sobre quais premissas está estruturado”.

Para a Sociedade Rural Brasileira (SRB), o País segue uma das legislações de sanidade e bem-estar animal mais rígidas do mundo, acessando mercados altamente exigentes, como o asiático e o europeu. “A SRB lamenta a decisão, prejudicial ao princípio da livre iniciativa e ao desenvolvimento do Brasil”.

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