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Desemprego vai a 9% e mercado de trabalho completa quase um ano de rápida deterioração

Taxa do IBGE é referente ao trimestre encerrado em outubro de 2015; foi o 10º aumento seguido da desocupação no País, que já tem mais de 9 milhões de pessoas desempregadas    

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Idiana Tomazelli,
O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2016 | 09h21

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 9% no trimestre até outubro de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior resultado da série, iniciada em janeiro de 2012, e o décimo aumento seguido do indicador - que completa quase um ano de rápida deterioração. Segundo o IBGE, o País já tem 9,1 milhões de desempregados.

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam taxa entre 8,90% e 9,50%, com mediana de 9%. Entre agosto e outubro de 2014, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 6,6%.

Já a renda média real do trabalhador foi de R$ 1.895 no trimestre até outubro de 2015. O resultado representa uma queda de 1% em relação a igual período de 2014. Na comparação com o trimestre até julho, feita para que não haja repetição das informações coletadas (a cada mês o IBGE visita 33% dos domicílios da amostra), houve recuo de 0,7% na renda média real.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 169,6 bilhões no trimestre até outubro de 2015, queda de 1,2% ante igual período de 2014 e recuo de 0,3% ante o trimestre até julho de 2015.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas e será encerrada em fevereiro de 2016, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

Carteira assinada. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado diminuiu 3,2% no trimestre até outubro de 2015 em relação a igual período do ano anterior. Com isso, 1,2 milhão de pessoas perderam o emprego formal no período.

O número de trabalhadores por conta própria, por sua vez, avançou 4,2% no mesmo intervalo. Isso significa que 913 mil pessoas ingressaram nessa modalidade de trabalho, caracterizada, em sua maioria, pela informalidade. Já o contingente de empregados no setor público diminuiu 1,3%, o que significa 151 mil pessoas a menos.

Dentre os setores, a indústria cortou 751 mil postos de trabalho em todo o País na comparação com 2014. Foi o setor que mais dispensou em um ano, com queda de 5,6% no total de pessoal ocupado no período.

O segundo setor que mais demitiu foi o de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com extinção de 429 mil postos. O número de pessoas em atividade nesse segmento encolheu 4% em um ano.

Nos outros serviços, foram dispensados 172 mil pessoas, uma queda de 4%. Também houve demissões na construção (-159 mil vagas) e na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-153 mil vagas).

Por outro lado, houve contratações no comércio (+398 mil vagas), no setor de transportes (+193 mil vagas), em alojamento e alimentação (+199 mil vagas), na administração pública (+393 mil vagas) e nos serviços domésticos (+200 mil vagas), sempre na comparação do trimestre até outubro de 2015 em relação a igual período de 2014. 

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