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Deterioração

A cada semana, empresas, consumidores e sociedade estão mais pessimistas sobre a capacidade do País de sair da crise econômica

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2015 | 21h00

Em poucas semanas, as notícias ruins vão se sobrepondo e essa sobreposição contamina as expectativas, que, por sua vez, ajudam a derrubar a economia.

Nesta segunda-feira, 21, as cotações do dólar ficaram muito próximas dos R$ 4 e só não chegaram lá porque o Banco Central atuou na ponta de venda. Só em setembro, a alta já chegou a quase 10,0% (veja o gráfico). As estatísticas se sucedem para mostrar que pioram a produção industrial, as vendas do comércio, os índices de emprego.

As contas públicas deixaram de ser apenas desequilibradas. Elas vêm piorando, a Standard & Poor’s já rebaixou a qualidade da dívida brasileira para o grau de especulação, os Estados ou estão quebrados (caso do Rio Grande do Sul) ou estão próximos disso.

O relatório do Tesouro Federal divulgado na última sexta-feira impressionou pelo tombo da arrecadação em agosto, o maior em cinco anos. Esse desempenho ruim não se deve apenas à retração da atividade econômica que afunda o fato gerador dos impostos. Como vem reconhecendo o ministro Joaquim Levy, deve-se também ao atraso deliberado do pagamento de tributos e contribuições. Isso porque aumenta a percepção de que, apesar das multas e juros de mora, convém adiar o pagamento, na medida em que o Fisco está mais propenso a conceder anistias e parcelamentos.

As enormes vacilações do governo Dilma não passam firmeza sobre a qualidade do ajuste pretendido. Na semana passada, por exemplo, os ministros da área econômica se sucederam em negar que tivessem um Plano B para ser adotado em caso de rejeição do atual pacote. Mais correto é dizer que não têm nem sequer um Plano A consistente. O tira-põe mostra que não tem clareza sobre o que pretende.

A proposta da volta da CPMF, por quatro anos e com alíquota de 0,2%, veio acompanhada de uma enxurrada de reivindicações novas, de governadores e de prefeitos, por carona nesse avião.

Junto com a divulgação de números cada vez piores, deteriora-se também a percepção das pessoas e das instituições sobre a possibilidade de saída relativamente rápida da crise.

A cada semana, empresas, consumidores e sociedade estão mais pessimistas sobre o desempenho da economia e sobre a capacidade do País de sair do atual atoleiro econômico.

As projeções dos principais indicadores revelam baixo nível de confiança. Toda semana, por exemplo, a Pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com cerca de 100 instituições do mercado, reflete expectativa acentuada de queda do PIB, redução da produção industrial, estimativas de aumento da dívida líquida, de alta das cotações da moeda estrangeira e aumento da inflação (veja o Confira).

E por falar em inflação, o Banco Central já não consegue conduzir as expectativas do mercado e, com isso, também a política monetária (política de juros) vai perdendo eficácia.

Este é o momento em que em todo o País, empresas e instituições estão decidindo seus projetos para 2016 e ajustando seus orçamentos. Ajudaria muito a recuperação, se o governo conseguisse transmitir segurança. O problema é que já ninguém sabe se o governo governa.

CONFIRA:

Aí está a evolução da expectativa do mercado em relação a dois números importantes da economia.

Paulada nos juros

O Conselho Consultivo do PT entendeu que deve recomendar a baixa unilateral dos juros, para não agravar a recessão. Ajudaria mais se dissesse o que fazer com o sistema de metas de inflação, que manda o Banco Central puxar pelos juros sempre que for necessário combatê-la. De quebra, ajudaria mais se dissesse o que fazer com a própria inflação e com a dilapidação do salário do trabalhador produzida por ela.

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