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'Devemos considerar que o desemprego permanece baixo', diz Nogueira da Costa

ALEXA SALOMÃO - O ESTADO DE S. PAULO

31 Agosto 2014 | 18h 11

Professor da Unicamp considera que a situação atual da economia brasileira não corresponde às boas perspectivas de longo prazo

Por que o Brasil patina? “O PIB trimestral que estamos vendo é um problema que acontece uma vez e não se repete. A Copa praticamente paralisou a produção no País. As empresas praticamente pararam. Todo mundo aproveitou, descansou. Agora, não dá para reclamar. Também precisamos considerar que um dos grandes fatores do dinamismo da economia do Brasil é o fato de o País ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos e de matérias-primas do mundo. Teve ganhos com a alta dos preços internacionais até 2008, quando veio a pior crise desde 1929. A bolha explodiu e as exportações perderam dinamismo. O País também foi afetado pela produção de petróleo. Houve uma queda e foi preciso importar mais. Quando tiramos as importações de petróleo, na média, o Brasil tem superávit comercial de US$ 25 bilhões. Ainda cresce mais que os países de economia avançada. Olhando no longo prazo, desde 2003, na média, o crescimento do Brasil acompanha o da economia mundial. Também devemos considerar que a taxa de desemprego permanece baixa.” 

Como reverter o problema? “Coloco uma pergunta diferente: como o Brasil poderia crescer mais? O País terá nos próximos anos uma janela de oportunidade histórica e extraordinária. Vai contar com os benefícios do bônus demográfico (momento em que a maioria da população está em idade produtiva, o que cria efeitos positivos no crescimento). O bônus vai se estender até 2030. Alguns falam que pode ir até 2050. Também vai contar com a exploração de petróleo do pré-sal. Mais da metade da produção do Brasil, até 2018, virá do pré-sal. A previsão é que o País se torne na próxima década um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Depois de 2020, a Petrobrás já estará produzindo 4 milhões de barris por dia. Outras empresas devem produzir outros 1,2 milhão de barris. O Brasil terá uns 2 milhões de barris para exportar. Isso vai resolver o problema da balança de pagamentos. Como está definido que 75% dos royalties do petróleo vão para educação e 25%, para a saúde, o petróleo vai melhorar a qualidade da vida da população, além dar estabilidade ao câmbio.”