Dida Samapio/Estadão
Dida Samapio/Estadão

Devolução ao Tesouro e 'caso JBS' serão desafios do novo presidente do BNDES

Na nova reforma ministerial, Dyogo Oliveira deixa o comando do Ministério do Planejamento para ocupar uma função mais baixa na hierarquia pública, mas que garante um salário muito maior, em média de R$ 100 mil por mês

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 10h52

BRASÍLIA - O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, assume a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a missão de conduzir o doloroso processo de devolução de todos os empréstimos do Tesouro Nacional e ao mesmo tempo fazer deslanchar a carteira de projetos de financiamento de infraestrutura. Essa área continua praticamente parada, mesmo depois das sucessivas promessas do Palácio do Planalto de dar impulso a novos investimentos. 

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Por outro lado, há também a expectativa de Brasília que o ministro, com  maior força, dê um direcionamento mais claro aos negócios do banco na JBS – maior processadora mundial de proteína animal -- e que o BNDESPar  (braço de participações do banco) detém 21,3% do capital. Nas últimas semanas, cresceram rumores em torno da venda da participação do banco no grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O atual presidente, Rabello de Castro, negou a negociação.

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O envolvimento do banco nos negócios da JBS foi alvo da Operação Bullish, que investiga irregularidades em aportes de R$ 8,1 bilhões da BNDESPar ao grupo, e provocou uma ferida “exposta” no corpo de funcionários que não foi resolvida pelos seus antecessores no cargo, Paulo Rabello de Castro e Maria Silvia Bastos. O presidente Michel Temer orientou Oliveira a “pacificar” essa crise.

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O presidente também quer ver o BNDES atuante nos financiamentos dos projetos de segurança pública a Estados e municípios. Uma promessa acertada com governadores depois da intervenção federal no Rio de Janeiro. 

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, o ministro vai tocar o processo de reestruturação do BNDES, que está ficando menor com o início da devolução dos empréstimos do Tesouro feitos no governo Dilma Rousseff e que chegaram a R$ 500 bilhões.  A devolução de mais R$ 100 bilhões até o final do ano está assegurada com Oliveira no comando do banco.

Uma parcela de R$ 50 bilhões foi repassada no ano passado e outra de R$ 30 bilhões entrou no caixa do Tesouro este mês – antes houve muito embate de Rabello de Castro com a equipe econômica. Rabello era contrário à devolução e bateu de frente com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 

Executivos do banco avaliam que Oliveira terá mais força para negociar com o Tribunal de Contas da União um calendário suave de devolução dos cerca de R$ 250 bilhões que ainda restarão depositados no banco de fomento após o repasse de R$ 130 bilhões a ser feito em 2018. O TCU cobra a devolução de todo o dinheiro. 

A orientação do novo presidente do BNDES será também a de aumentar o risco do banco e desenvolver novos instrumentos financeiros. Nesse modelo, o banco tem que participar da estruturação do projeto, carregar o risco da construção. E na hora que o projeto der resultados precisa vender o ativo para o mercado. Essa é a ideia de um BNDES mais moderno, na avaliação do ministro. 

Oliveira avalia que o BNDES precisa ser mais ágil e desenvolver novos produtos mais flexíveis e adequados ao desenvolvimento das novas tecnologias. Esse é o caminho para o banco se adaptar a uma realidade em que  os juros de mercado são mais baixos e o diferencial de juros dos empréstimos do banco já não existe mais.

Em palestra recente a empresários de São Paulo, o ministro do Planejamento defendeu um BNDES no sentido estrito da palavra: um banco de desenvolvimento. 

Na nova reforma ministerial, Oliveira deixa o comando do Ministério do Planejamento, pasta a qual o banco é vinculado – para uma função mais baixa na hierarquia pública, mas que garante um salário muito maior, em média de R$ 100 mil por mês. O “rebaixamento” é visto com desconfiança pelos funcionários. Por isso, fontes do banco avaliam que não será fácil a tarefa de “pacificar” dada por Temer nos nove meses que Oliveira terá até o final do governo para mostrar resultado.

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