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Dez tecnologias que podem mudar sua vida

Da alimentação sem gordura ao carro sem motorista, chegando até ao banheiro, dispositivos passam da ficção à realidade

RENATO CRUZ

11 Março 2012 | 03h12

O escritor britânico Arthur C. Clarke definiu certa vez: "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica". Pois tecnologias mágicas, que há alguns anos pareciam coisa de ficção científica, começam a ser incorporadas no cotidiano, às vezes, sem que as pessoas se deem conta.

Hal 9000, o computador que enlouquece em 2001, Uma Odisseia no Espaço, imaginado por Clarke, era capaz de se comunicar em linguagem natural. Hoje, já estão no mercado o Watson, computador da IBM que venceu humanos num jogo de perguntas na TV americana, e a Siri, assistente de voz do iPhone. No filme Minority Report, o policial vivido por Tom Cruise usa uma tela sensível ao toque, que lê movimentos das mãos. Atualmente, a tela sensível ao toque está em qualquer tablet ou smartphone. O Kinect, da Microsoft, lê movimentos corporais de usuários do Xbox 360 ou de PCs.

Mas isso é só o começo. A seguir, uma seleção de dez tecnologias que devem chegar em breve ao mercado:

Máquinas que leem pensamento. A IBM divulga, anualmente, um estudo chamado "Next 5 in 5", com cinco tecnologias que devem chegar ao mercado nos próximos cinco anos. Um dos destaques do relatório mais recente são sensores capazes de ler e interpretar a atividade elétrica do cérebro, permitindo controlar computadores ou smartphones com o pensamento. "Já existem alguns brinquedos no mercado que conseguem ler comandos muito simples", disse Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil. "Essas tecnologias de leitura da mente terão aplicações médicas, ajudando, por exemplo, deficientes motores."

Gere energia e forneça ao sistema elétrico. Sistemas que transformam calor, luz e movimento em energia permitirão que casas e empresas sejam não somente autossuficientes, mas que, no lugar de consumir, forneçam energia ao sistema elétrico. A energia cinética de atividades como caminhar, correr e andar de bicicleta pode ser convertida em eletricidade.

Na Irlanda, cientistas da IBM estudam formas de converter em energia o movimento das ondas do mar.

Frituras que não fazem mal à saúde. A biotecnologia permite reduzir os impactos negativos de certos alimentos na saúde. Um exemplo é uma variedade de soja chamada Plenish, com alto concentração de ácido oleico, desenvolvida pela DuPont. "Com essa soja, é possível produzir um óleo sem os malefícios da gordura trans", disse John Jansen, vice-presidente para a área de polímeros da DuPont. A gordura trans, que faz mal à saúde, é acrescentada ao óleo de soja no processo de hidrogenação. O óleo produzido a partir da soja Plenish não precisa passar por esse processo.

Embalagens comestíveis. A Embrapa inaugura amanhã, em Fortaleza, seu laboratório de embalagem de alimentos. Os pesquisadores vão desenvolver embalagens biodegradáveis, que podem ser decompostas em semanas em contato com o solo. Algumas dessas embalagens, produzidas a partir de polpa de frutas como acerola, goiaba e manga, serão comestíveis. Outras, com biossensores, poderão atestar se alimentos estão em condições adequadas ao consumo.

Remédios inteligentes. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, tem um laboratório dedicado à bionanotecnologia. A pesquisadora Natália Cerize criou um nanocarreador, em que o remédio é encapsulado em uma nanopartícula (de tamanho equivalente a um bilionésimo de metro). "O fármaco é liberado de forma controlada, em uma camada específica da pele, diretamente no local infectado ou da lesão", explicou Natália. Essa tecnologia aumenta a eficiência do medicamento, direcionando sua ação e evitando sua degradação.

Carros que se dirigem sozinhos. O Google testa um sistema de veículos autônomos na Califórnia. Os carros adaptados - com câmeras de vídeo, sensores óticos, de radar, de distância e de posição e processamento em tempo real de informações do Google Maps - já rodaram mais de 225 mil quilômetros nas ruas, e podem alcançar uma velocidade de 120 quilômetros por hora, desviando de ciclistas, pedestres e outros carros.

Computadores e celulares que desaparecem. Com o avanço da chamada "internet das coisas", cada vez mais dispositivos ganham capacidade de comunicação e de processamento, substituindo PCs e celulares convencionais. As telas começam a ser incorporadas a superfícies como paredes e mesas. Eletrodomésticos se conectam à internet e processam informações. A Ford apresentou este ano, durante o World Mobile Congress, em Barcelona, um sistema chamado Sync, em que o celular se conecta ao carro por Bluetooth, e o motorista interage com seus aplicativos por comando de voz.

Tradução simultânea automática. Num futuro próximo, será possível conversar com pessoas que falam línguas que você não conhece. O Google lançou, no ano passado, um "modo de conversação" em seu aplicativo Google Tradutor. Ainda em fase de testes, o sistema traduz 14 línguas, mas a conversa não acontece em tempo real. É preciso dizer a frase e clicar num ícone para ouvir a tradução. A empresa Proativa, de Pernambuco, desenvolveu o ProDeaf, um sistema que converte sons da fala em linguagem de sinais (e vice-versa), para deficientes auditivos usarem em celulares com Windows Phone.

Lentes de contato que cuidam da sua saúde. A Microsoft Research e a Universidade de Washington trabalham num projeto de lentes de contato inteligentes, que incorporam sistemas eletrônicos e podem, por exemplo, monitorar o nível de açúcar no sangue de diabéticos. A primeira geração das lentes transmitirá informações sem fio para um celular. "No futuro, as informações serão mostradas pela própria lente, projetada diretamente na retina", disse Paulo Iudicibus, diretor de inovação da Microsoft.

Banheiro inteligente. Por fim, uma tecnologia que já existe comercialmente no Japão: o vaso sanitário Inteligence Toilet II, da Toto, analisa a pressão sanguínea, o índice de massa corporal, o peso, o nível de açúcar no sangue e a temperatura da urina de até cinco pessoas. Essas informações são transmitidas para o computador, e podem ser convertidas em tabelas e gráficos. O modelo mais sofisticado custa cerca de US$ 6 mil.

Pesquisa. Laboratório da DuPont em Paulínia

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