Dicas ao escolher a champanhe para o réveillon

Na passagem de ano, existe a tradição de "estourar" pelo menos um champanhe, seja na praia ou apenas assistir à queima de fogos na rua da sua casa. Porém, o vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), Mario Telles, alerta que a tradição de abrir um champanhe à moda de pilotos de Fórmula-1 no réveillon é um atentado contra a bebida de origem francesa. Telles explica que chacoalhar a garrafa e arremessar a rolha longe tira o sabor e qualidade da bebida. "O que qualifica o champanhe é justamente o gás e a espuma. Quando se agita a garrafa, perde-se todo o gás carbônico, descaracterizando o processo que o torna tão especial", avisa. O vice presidente da ABS apresenta uma boa sugestão para não arruinar a noite dos que planejavam dar um banho de espuma nos amigos: "A melhor saída é comprar um espumante mais barato para estourar e guardar o bom champanhe para apreciar depois", aconselha. Diferença entre espumante e champanhe Mas, afinal, qual é a diferença entre um espumante e um bom champanhe? O champanhe é o espumante produzido em uma região específica da França (Champagne) e feito com uvas especiais: Pinot Noir, Pinot Meunier (tintas) e Chardonnay (branca). Todos os outros vinhos que passam por uma segunda fermentação feitos em qualquer outro canto do mundo são espumantes. "Além disso, o champanhe é muito mais encorpado, pois o processo de espumatização é melhor elaborado", explica Telles. Outra diferença significativa é o preço. Uma garrafa de Krug, por exemplo, chega a custar R$ 400. Isso porque o Krug é um champanhe de exceção e a produção é muito pequena, considerado pelos apreciadores um dos melhores de toda a região da Champagne e um dos poucos que, como antigamente, continuam sendo fermentados em tonéis de carvalho. Entre os melhores champanhes franceses estão também o Veuve Clicquot (preço médio R$ 129), o Moët Chandon (R$ 117) e o Taittinger (cerca de R$ 200). O fato é que os espumantes não são mais um primo pobre do champanhe, que serve só para estourar. Muitos nacionais, nascidos em vinhedos gaúchos, atingiram uma qualidade tão elevada que alguns especialistas arriscam dizer que eles superam os espanhóis e argentinos. Para Telles, os melhores nacionais são o Excellence, que custa cerca de R$ 33, feito pela Chandon, e o Miolo Reserva (preço médio R$ 23). Nos últimos tempos, o proseco tem se tornado outra boa alternativa ao champanhe. O proseco é um tipo de espumante produzido na região de Valdobbiene, na Itália, com uvas proseco. São leves, adocicados e combinam muito bem com frutas secas, e até morango. Os três melhores prosecos à venda no País, na opinião de Telles, são o Tosti (R$ 21,90), o Zonin (R$ 31,70) e o Bruscatto (R$ 29,90 - preços do Pão de Açúcar Morumbi). Este último, segundo o consultor, é um dos melhores prosecos, junto com Asti de Fontana Fredda (preço médio R$ 35). Como servir Na hora de escolher um espumante, é bom prestar atenção também na categoria. Os chamados brut têm pouco açúcar e os demi sec são mais doces e mais suaves. Outra observação que Telles faz sobre o champanhe e os espumantes é o copo em que devem ser servidos e como devem ser resfriados. A temperatura ideal para servir o champanhe é entre 8 e 10 graus e de preferência resfriados em baldes de gelo. O recipiente ideal é a taça flute, finas e compridas.

Agencia Estado,

28 Dezembro 2001 | 12h40

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