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Dilma dá sinais contraditórios sobre pré-sal

Cresce a oposição ao projeto do senadorJosé Serra que desobriga a Petrobrás de ser operadora única

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Ricardo Brito e Adriana Fernandes,
O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2016 | 07h34

BRASÍLIA - A falta de um sinal claro da presidente Dilma Rousseff em conversas recentes com interlocutores em relação ao projeto do senador José Serra (PSDB-SP) para o pré-sal tem liberado aliados para discutir a proposta. O projeto de lei desobriga a Petrobrás de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal. Por lei, a empresa tem participação mínima de 30% em todas as áreas ainda não licitadas. A estratégia de Dilma – que a resguarda de tomar partido em uma matéria contrária ao ideário do PT e de sua base social – tem levado a um aumento da oposição à matéria no Senado.

Em pelo menos quatro ocasiões, Dilma se posicionou de forma diferente sobre o projeto. No início do mês, ela indicou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que não iria se opor publicamente a uma discussão da proposta. Só não toparia a mudança do regime de partilha. Duas semanas depois, em reunião de líderes da base no Senado, colocou-se a favor do debate do projeto, mas ressalvou que não faltariam recursos para exploração da camada petrolífera.

No terceiro movimento, numa conversa com o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), Dilma avalizou uma mudança para permitir que a Petrobrás tenha direito de preferência em futuros leilões do pré-sal. A presidente disse ainda a um interlocutor do primeiro escalão ser contra, mas frisou que cabe ao Congresso encaminhar a proposta. “É importante, mas não agora”, disse o ministro com quem a presidente conversou.

Ele citou o fato de que a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional desencoraja por ora investimentos na exploração do pré-sal. O projeto é o terceiro item da pauta do plenário do Senado hoje, mas ainda precisa da aprovação de um requerimento de urgência para ir à votação.

A avaliação feita por petistas é que a presidente, ao não adotar uma posição clara sobre a proposta, tenta não se comprometer com uma polêmica que é tema de debate no Congresso. Ainda mais quando pairam dúvidas se a iniciativa vai prosperar. Um eventual comprometimento com a matéria, dizem, poderia levá-la a um desgaste desnecessário com os parlamentares do partido, sindicalistas simpatizantes à legenda e a sua base social, num momento em que administra crises maiores nas áreas política e econômica.

Oposição. Desde a semana passada, diante da aparente indefinição do Planalto, o PT no Senado tem feito uma série articulações para, ao menos, adiar a votação da proposta a fim de ampliar o debate.

A bancada petista pretende ouvir nesta noite o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli e representantes da Federação Única dos Petroleiros para discutir o projeto. O partido está dividido entre aqueles que aceitam debater o assunto e outros contrários a qualquer mudança regulatória.

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