Dilma diz que Eike é 'orgulho do Brasil'

Presidente defendeu a realização de parcerias entre a Petrobrás e a OGX e disse que "não há concorrência no espírito" entre as empresas

SERGIO TORRES , GLAUBER GONÇALVES , ENVIADOS ESPECIAIS , SÃO JOÃO DA BARRA (RJ), O Estado de S.Paulo

27 Abril 2012 | 03h04

O megaempresário Eike Batista é o "orgulho do Brasil", declarou ontem em São João da Barra a presidente Dilma Rousseff, que defendeu a realização de parcerias entre a Petrobrás e a petroleira nacional OGX, uma das subsidiárias do grupo EBX, controlado pelo homem tido internacionalmente como o mais rico brasileiro do momento.

Dilma visitou, no fim da tarde e início da noite, as obras do porto do Açu, no litoral de São João da Barra, município litorâneo do norte do Estado do Rio. Quando pronto, segundo discursou Eike, a área será o maior conglomerado portuário-industrial da América Latina. Após a fala do empresário a funcionários e autoridades, Dilma teceu elogios a Eike durante 15 minutos e não abordou assuntos relacionados a questões políticas.

"O Eike é nosso padrão, nossa expectativa e orgulho do Brasil", afirmou a presidente, para quem o empresário "tem capacidade de trabalho", "busca as melhores práticas", "quer tecnologia de última geração", "percebe os interesses do País" e "merece o nosso respeito". Para Dilma, "não há e não pode haver concorrência no nosso espírito entre duas grandes empresas, como é o caso da Petrobrás e da OGX".

"Ambas se situam em patamares diversos. Mas, agora, ambas podem ganhar muito com uma parceria. Estou certa que a OGX tem uma grande contribuição (a dar)na exploração de petróleo (...) e no que se refere a obter tecnologia de última geração", discursou a presidente.

Dilma foi recepcionada no campo de pouso do futuro porto por Eike e seu filho mais velho, Thor. Chegou às 16h30 de helicóptero acompanhada do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão - que em evento pela manhã também havia feito a defesa da aproximação entre Petrobrás e OGX - e do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Durante quase duas horas a presidente percorreu as obras dos dois terminais marítimos, ainda em construção. A seguir, participou da cerimônia simbólica de recebimento da primeira carga de petróleo extraído pela OGX. A primeira retirada ocorreu, na verdade, há quase três meses, no campo de Waimea (Bacia de Campos, litoral norte do Rio), em 31 de janeiro, com atraso em relação ao cronograma da companhia, que programara o evento para dezembro.

Ainda na manifestação do interesse do governo em aproximar-se de Eike e de seu grupo empresarial, Dilma acrescentou acreditar que existe a "possibilidade de contar com a participação tanto da OGX quanto de empresas privadas internacionais" em parcerias com o poder público.

A aliança entre o grupo de Eike e a companhia de mineração Vale também foi citada pela presidente, para quem os governos enfrentam o "grande desafio" de "participar como parceiro do poder produtivo". Na solenidade, Eike e o diretor de Logística da Vale, Humberto de Freitas, assinaram memorando de entendimento para a criação de uma ferrovia que ligue o porto do Açu à malha ferroviária da Região Sudeste. / COLABOROU SABRINA VALLE

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