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Dilma diz que sistema elétrico brasileiro é à prova de raios

Agência Estado e Economia & Negócios - Atualizado às 20h21

06 Fevereiro 2014 | 16h 23

Se os raios foram os responsáveis pela falta de luz, cabe ao ONS apurar se os operadores estão mantendo adequadamente sua rede de para-raios, disse a presidente por meio de seu porta-voz

RIO - Os motivos do apagão de terça-feira ainda são desconhecidos, mas nesta quinta-feira, 6, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que a queda de raio é cogitada como uma das hipóteses de causa do blecaute que deixou seis milhões de pessoas sem luz em 13 Estados. Mas, após a declaração do ONS, a presidente Dilma Rousseff reafirmou, por meio do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, que acumula a função de porta-voz da Presidência, que o "sistema elétrico brasileiro é à prova de raios".

"O Brasil é um dos países com maior quantidade de raios no mundo. O sistema elétrico brasileiro foi montado para ser à prova de descargas elétricas, com uma gigantesca rede de para-raios. Se os raios foram realmente responsáveis pela queda de fornecimento de energia, cabe ao ONS apurar se os operadores estão mantendo adequadamente sua rede de para-raios", disse o ministro, em breve declaração à imprensa.

No final de dezembro de 2012, a presidente mostrou irritação com técnicos do ONS e do Ministério de Minas e Energia que atribuíram aos raios os apagões ocorridos no País. "No dia em que falarem para vocês que caiu um raio, gargalhem", afirmou, durante um café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto. No ano passado, o governo atribuiu a duas queimadas no Piauí a causa do apagão que atingiu Estados de toda a Região Nordeste em agosto.

O ONS descartou que uma falha humana e o recorde de consumo de energia tenham provocado o incidente. O diretor-geral do órgão, Hermes Chipp, negou que o fato de o País estar registrando picos recordes de consumo de energia tenha provocado o apagão da última terça-feira. "Não há relação com isso. "Não há nenhuma linha de transmissão operando fora do limite", afirmou Chipp, lembrando que as termelétricas estão em operação neste momento, o que reduz o estresse sobre a transmissão.De acordo com Chipp, o relatório com as conclusões sobre o apagão deverá ser concluído em 15 dias.

Para especialistas, contudo, a incerteza regulatória e erros de planejamento deixam a rede de transmissão mais sujeita a falhas em momentos de grande estresse do sistema elétrico.

Abastecimento. Sobre as condições de abastecimento de energia, Chipp afirmou que o ONS está focando no curto prazo para administrar o sistema durante esse período de escassez. "As chuvas virão. Nunca teve um ano em que as chuvas não vieram. Só espero que venham nos lugares adequados para ficarmos mais tranquilos", afirmou o operador, em referência sobre a necessidade de as chuvas ocorrerem nas principais bacias hidrográficas do País.

Apesar das condições mais adversas, Chipp comentou que os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o mais importante do País, ainda têm uma margem de segurança para aguentar a demanda do sistema até as chuvas ocorrerem. "O sistema terminou o ano em 40% da capacidade e hoje está em 38,8%. Ainda estamos com uma margem grande", assegurou.

Reunião. Hoje, representantes da Aneel, do Ministério das Minas e Energia e das empresas envolvidas no apagão se reuniram na sede do ONS para analisar o incidente, identificando as suas causas e as providencias que devem ser tomadas para evitar novos incidentes.

"Esse relatório só é concluído quando é encaminhado para Aneel, que tem a função de fiscalizar tudo que foi identificado e concluído", disse Chipp. Após ir para Aneel, o relatório é enviado para o comitê de monitoramento do setor elétrico (CMSE) e os dois órgãos fazem uma avaliação do documento para saber se os procedimentos adotados foram coretos ou se serão necessários novos ajustes.

Chipp deu como exemplo as notícias que dão conta que a carga de energia do metro de São Paulo foi cortada no apagão durante o procedimento de recomposição do sistema. Em tese, isso não deveria ter acontecido por se tratar de uma carga considerada essencial "Isso tem que ser revisto para que possamos isolar essa carga", afirmou.

Apagão. Na última terça-feira, o País registrou recorde no consumo de energia do País às 14h02, um minuto antes duas falhas quase simultâneos que derrubaram o trecho Miracema (TO) - Colinas (TO) da Interligação Norte - Sudeste.

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