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Dilma é aconselhada a não assumir novos compromissos em Davos

Jamil Chade - Correspondente - O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2014 | 02h 07

Discurso da presidente recebia ontem sugestões de diversos assessores, mas a ideia é falar das realizações do governo

ZURIQUE - Se o Fórum Econômico Mundial, em Davos, espera de Dilma Rousseff um discurso nesta sexta-feira repleto de novos anúncios, os empresários correm o risco de sair sem parte das respostas. Membros do governo recomendaram à presidente evitar assumir compromissos diante da elite do empresariado mundial, justamente para depois não ser cobrada.

Na quinta, o discurso de cerca de 20 minutos que Dilma vai fazer hoje ainda recebia retoques, com as sugestões de diversos assessores, entre eles Marco Aurélio Garcia.

A indicação de alguns de seus ministros é de que o discurso vai "consolidar" o que o governo tem feito até agora, as conquistas e indicar que as perspectivas são "muito favoráveis". Outro membro da delegação apenas indicou: "Se quiserem novidades, comprem jornais".

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, admitiu que o texto "deixava espaço" para eventuais anúncios. Mas outros insistiam que esse risco não deveria ser corrido pela presidente.

Um ponto, porém, que deve entrar no discurso é justamente o combate às desigualdades, um dos temas principais de Davos neste ano. Fontes do governo admitiram ao Estado que o que venceu a resistência de Dilma ao Fórum foi o fato de que a organização enfatizou que desigualdade seria um tema importante este ano, e o Brasil é visto como um exemplo de país que conseguiu grandes avanços sociais e reduziu a desigualdade.

Esta é a primeira vez que Dilma participa do Fórum como presidente, apesar dos insistentes convites feitos pelos organizadores nos últimos anos.

Caças. Hoje, ela ainda terá reuniões com CEOs de empresas como a Inbev e Novartis. Mas uma de suas prioridades é o encontro com a Saab para começar a detalhar de que forma o Brasil vai adquirir os jatos Gripen da empresa sueca.

No fim de 2013, e depois de mais dez anos de debates, o governo finalmente optou pelo caça produzido pela Saab. Estavam na concorrência também os aviões da americana Boeing e da francesa Dassault.

Numa primeira fase, 36 aviões serão comprados. Mas a Saab já indicou que poderia fechar um acordo com o Brasil para que parte da produção ocorra em território brasileiro.

Outro ponto que ainda precisa ser fechado é a questão do valor exato e da forma de pagamento. A estimativa é de que o pacote saia por cerca de US$ 4,6 bilhões.

Todos esses detalhes começarão a ser esclarecidos em um encontro entre Dilma e o presidente da Saab, Hakan Buskhe.

Entre os suecos, o interesse pela reunião com Dilma é claro. A empresa quer acelerar ao máximo a assinatura de fato do contrato. Por enquanto, a Saab afirma que foi "selecionada" pelo governo brasileiro para fornecer os aviões. Mas, até que um contrato seja assinado, ninguém ousa comemorar. Afinal, todos se lembram como a Dassault comemorou quando os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy anunciaram o que parecia o fim da novela dos caças.

COLABOROU FERNANDO DANTAS

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