André Dusek/Estadão
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Diretor do Banco Central reforça que Selic será mantida em 14,25% ao ano

Awazu afirmou que manutenção do atual patamar do juro básico por período suficientemente prolongado é condição necessária para fazer a inflação convergir para a meta ao fim de 2016

O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 13h02

BRASÍLIA - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, afirmou que o balanço de riscos se deteriorou com a alta dos prêmios de risco e reforçou a mensagem do presidente Alexandre Tombini, que falou antes dele, de manter os juros básicos em 14,25% ao ano por tempo suficientemente prolongado, estratégia que ele classificou como necessária para fazer a inflação convergir para a meta de 4,5% ao ano ao fim de 2016. Ele recomendou ainda "discernimento analítico para evitar reatividade excessiva".

"É preciso calma no contexto de comunicação pouco clara de autoridades de outros países", disse. Segundo ele, a comunicação recente de autoridades monetárias de países avançados não está suficientemente clara para guiar os mercados. Para Awazu, é preciso continuar com as políticas anunciadas, separar as causas, dar direcionamento ao mercado e preservar sua funcionalidade. "O processo, como sabemos, é de ajuste padrão, ele é necessário", disse.

Ele ainda voltou a falar em garantir a funcionalidade do mercado, assim como mencionado pelo presidente Tombini antes dele, independente da dinâmica de preços. Disse ainda que é preciso fortalecer a política econômica e os fundamentos. 

Segundo Awazu, parte dos problemas foi endereçada pela política fiscal, como o realinhamento de preços administrados, redução de subsídios e cortes de gastos. "Como sabemos, não há free lunch (almoço grátis)", afirmou durante apresentação do Relatório Trimestral de Inflação. Segundo ele, a alta do dólar é um reflexo dessa transição.

O diretor também afirmou hoje que mudanças nas metas e no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), que foi apresentada com um déficit de R$ 30,5 bilhões, se refletiram em risco. Ele explicou que a deterioração das metas fiscais levou à perda do grau de investimento pelo Brasil.

"As expectativas sobre as metas fiscais acompanhavam certo reconhecimento das dificuldades de se cumprir essas metas que tinham sido inicialmente colocadas", observou. Segundo ele, a revisão dessas metas, a partir de julho, devem ter sido um dos elementos entre outros para que a percepção dos agentes do mercado pudessem evoluir de maneira menos favorável. 

Para Awazu, a piora fiscal afetou o dólar e criou uma "escadinha" de deterioração cambial. "A ideia é que sim, houve uma deterioração em parte ligada à maneira como as metas foram aquém do que o mercado reconhecia como natural do quadro e acabaram resultado numa deterioração mais acelerada dos prêmios de risco medidos", argumentou.

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