José Cruz/Agência Brasi
José Cruz/Agência Brasi

Dívida pública federal tem queda de 0,87% em janeiro ante dezembro

Resultado teve ajuda das emissões externas bem sucedidas apesar da nota de crédito do país

Lorenna Rodrigues e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 16h05

BRASÍLIA - O estoque da dívida pública federal (DPF) caiu 0,87% em janeiro, quando atingiu R$ 3,528 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional. Em dezembro, o estoque estava em R$ 3,559 trilhões. 

O destaque para o mês, segundo o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Leandro Secunho, foi a emissão externa, vista como bem sucedida a despeito do rebaixamento da nota de crédito do país e da não aprovação da reforma da Previdência.

Para 2018, o Plano Anual de Financiamento (PAF) estabeleceu intervalo de R$ 3,78 trilhões a R$ 3,98 trilhões para o estoque da dívida pública total. Isso segue de pé mesmo sem a reforma da Previdência, afirmou Secunho, apontando que a não apreciação da proposta já estava contemplada no cenário do Tesouro para o ano.

A correção de juros no estoque da DPF foi de R$ 21,76 bilhões em janeiro. Já as emissões de papéis totalizaram R$ 56,813 bilhões, enquanto os resgates chegaram a R$ 109,311 bilhões, o que resultou em resgate líquido de R$ 52,50 bilhões. A DPF inclui a dívida interna e externa.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) caiu 0,87% e fechou o mês passado em R$ 3,405 trilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 0,76% menor, somando R$ 122,85 bilhões no primeiro mês do ano. 

Cenário. Em janeiro o governo captou US$ 1,5 bilhão na reabertura do título Global 2047, na primeira emissão do ano e que se deu uma semana após o rebaixamento do país pela Standard & Poor‘s. Na semana passada, a nota de crédito brasileira também sofreu downgrade pela Fitch. 

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Leandro Secunho, destacou que a reabertura do Global 2047 teve demanda quatro vezes superior ao volume ofertado.

A não aprovação da reforma da Previdência teve "pouco impacto" nos preços da dívida pública em um primeiro momento, mas terá no médio e longo prazos, prevê o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Leandro Secunho. "Os investidores estão vendo como uma agenda que, não sendo votada agora, precisa continuar na pauta até 2019. É um problema que necessariamente será endereçado", afirmou.

Secunho ressaltou que toda a "perspectiva fiscal" será impactada sem a reforma da Previdência que, no caso da dívida pública federal, haverá um aumento no volume e uma piora na composição, com um crescimento na fatia de títulos com maior risco, como os atrelados à taxa Selic. Ele acredita que os primeiros reflexos da não aprovação da reforma serão sentidos no prazo de três a cinco anos.

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