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Dólar cai 1% e vai a R$2,20 com BC e PIB dos EUA

BRUNO FEDEROWSKI - REUTERS

25 Junho 2014 | 17h 26

O dólar fechou em queda de quase 1 por cento nesta quarta-feira, após as intervenções no câmbio pelo Banco Central serem prorrogadas sem alterações até o fim do ano e diante da forte contração da economia dos Estados Unidos no primeiro trimestre.

A decisão do BC surpreendeu o mercado e deu segurança aos agentes sobre a determinação do BC em manter a divisa nos níveis atuais e evitar a volatilidade desnecessária. Até então havia expectativa de que intervenções seriam reduzidas em meio à tranquilidade nos mercados globais.

A moeda dos EUA <BRBY> caiu 0,93 por cento, a 2,2060 reais na venda, após atingir 2,2001 reais na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,4 bilhão de dólares.

"O raciocínio por trás dessa medida é manter o dólar nesse patamar, o que ajuda a controlar a inflação, e reduzir um pouco a volatilidade. O anúncio dá segurança de que a oferta diária vai continuar ampla", afirmou o operador do banco Daycoval Luiz Fernando Gênova.

Na noite anterior, a autoridade monetária anunciou que manterá "pelo menos até o 31 de dezembro" as ofertas diárias de 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Recentes declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, de que via arrefecimento na demanda por proteção cambial haviam levado investidores a apostarem numa redução dos lotes. [nL2N0P525B]

Esse tem sido o montante ofertado nos leilões diários desde o início deste ano e tinha previsão para acabar no fim de junho.

De acordo com analistas, o BC também deve continuar dosando as rolagens de swaps que vencem para garantir que a divisa dos EUA permaneça dentro da banda informal de 2,20 a 2,25 reais. Nesta sessão, o dólar chegou ao piso algumas vezes, mas não encontrou forças para rompê-lo.

A interpretação do mercado é que a autoridade monetária quer evitar impactos sobre a inflação decorrentes de cotações altas demais e, ao mesmo tempo, proteger a balança comercial de um dólar excessivamente depreciado.

"O mercado respeitou e deve respeitar os 2,20 reais", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, que acredita que as condições favoráveis dos mercados financeiros globais permitem que o BC reduza os montantes de swaps rolados sem provocar volatilidade.

Nesta sessão, o BC deu continuidade às rações diárias vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, com volume equivalente a 198,4 milhões de dólares. Foram 2,5 mil contratos para 2 de fevereiro e 1,5 mil para 1º de junho de 2015.

Em seguida, vendeu a oferta total de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em julho. Ao todo, já rolou pouco mais de 75 por cento do lote total, que corresponde a 10,060 bilhões de dólares. [nE6N0OX01K]

A queda do dólar no Brasil também espelhou a depreciação da moeda norte-americana nos mercados globais, após a economia dos EUA encolher em ritmo muito mais agudo do que estimado e as encomendas de bens duráveis registrarem queda inesperada em maio. [nL2N0P60SK]

Os indicadores sugerem que a recuperação da maior economia do mundo pode estar aquém das expectativas, num momento em que o Federal Reserve, banco central do país, reduz suas medidas de estímulo e discute eventual aumento da taxa de juros. Nesse contexto, o dólar recuou contra moedas como o euro <EUR=> e o iene <JPY=>.

"Os dados dos EUA exacerbaram uma queda que já veio do início do dia. O efeito foi que o que poderia ser um recuo bem comedido acabou fazendo todo esse estardalhaço", afirmou o operador da corretora Intercam Glauber Romano, que acredita que o dólar não deve romper o piso dos 2,20 reais.