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Dólar cai mais de 1% ante real, com especulação eleitoral e BCE

BRUNO FEDEROWSKI - REUTERS

26 Agosto 2014 | 17h 50

A moeda norte-americana caiu 1,15%, a R$ 2,2642 na venda, após chegar a R$ 2,2647 na mínima da sessão

Epitácio Pessoa/Estadão
"Essas eleições estão se mostrando um prato cheio para especulação", afirmou o operador da corretora B&T, Marcos Trabbold

O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento ante o real nesta terça-feira, após quatro sessões de valorização, com especulações de que uma nova pesquisa Ibope mostrará que a reeleição da presidente Dilma Rousseff ficou mais difícil.

Também ajudaram na queda da moeda norte-americana expectativas de novos estímulos do Banco Central Europeu (BCE), que poderiam elevar a liquidez nos mercados financeiros.

A moeda norte-americana caiu 1,15 por cento, a 2,2642 reais na venda, após chegar a 2,2647 reais na mínima da sessão. Nos quatro pregões passados, o dólar acumulou valorização de 1,8 por cento. O giro na clearing de câmbio da BM&F, que registra a grande maioria das negociações no mercado à vista, somou cerca de 1,5 bilhão de dólares.

"Essas eleições estão se mostrando um prato cheio para especulação", afirmou o operador da corretora B&T, Marcos Trabbold, acrescentando que parte do movimento desta sessão também pode ser atribuída a uma correção técnica.

Operadores citaram rumores de que a candidata à Presidência Marina Silva (PSB) teria encostado na presidente Dilma Rousseff (PT) nas intenções de voto no primeiro turno, deixando para trás Aécio Neves (PSDB).

No levantamento do Datafolha, divulgado na semana passada, Dilma --que tem sido criticada pelo mercado pela condução da atual política econômica-- aparecia na frente no primeiro turno, mas tecnicamente empatada com Marina no segundo, após a ex-senadora assumir a cabeça de chapa do PSB.

"Não dá para fazer nenhuma operação de longo prazo sem saber quem vai estar no governo no ano que vem", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

"Mas como as últimas pesquisas mostraram que a Dilma não vai se reeleger com tanta facilidade, o mercado acaba apostando que isso deve continuar e o dólar trabalha um pouco mais para baixo", acrescentou ele.

A queda do dólar nesta sessão também refletiu expectativas de mais medidas de estímulo pelo BCE. Na semana passada, o presidente do banco central, Mario Draghi, disse estar preparado para agir para impulsionar a demanda, alimentando expectativas de novos estímulos que poderiam injetar liquidez na economia global.

Em função disso, o dólar também recuava diante de outras moedas de mercados emergentes, como a lira turca e o peso mexicano.

TETO

A queda do dólar nesta sessão ocorreu um dia depois de a divisa se aproximar do nível de 2,30 reais, identificado por diversos analistas como um teto informal imposto pelo Banco Central. Quando a divisa chegou perto desse patamar no início do mês, o BC aumentou o ritmo das rolagens de swap cambial, que equivalem a venda futura de dólares.

"Depois de se aproximar dos 2,30 reais, é normal corrigir um pouco. (O dólar) não tem força para passar disso", afirmou Trabbold, da B&T.

Nesta manhã, o BC deu continuidade ao seu programa de atuações diárias no mercado de câmbio, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais. Foram vendidos 2,6 mil contratos para 1º de junho e 1,4 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a 197,4 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta integral de até 10 mil contratos para rolar os swaps que vencem em 1º de setembro. Até agora, o BC rolou cerca de 78 por cento do lote total, que corresponde a 10,070 bilhões de dólares.