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Ricardo Moraes/Reuters

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Dólar fecha em alta e Bolsa cai com peso do cenário político

Após recuo de mais de 10% em março, a moeda americana subiu para R$ 3,64, enquanto a Bolsa encerrou com queda de 1,55%

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Fabrício de Castro,Karla Spotorno,
O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 12h06
Atualizado 14 Março 2016 | 17h59

Após o recuo de mais de 10% acumulado em março, o dólar passou hoje por ajustes no mercado brasileiro, com investidores recompondo parte das posições na moeda americana. O movimento foi intensificado no fim da tarde, quando surgiram notícias que, em tese, podem fortalecer a luta da presidente Dilma Rousseff contra o impeachment. O resultado foi o avanço firme do dólar ante o real, de mais de 1%, na segunda alta da moeda em um total de dez sessões de março. Já a Bovespa, que oscilou perto da estabilidade durante boa parte do dia, despencou na reta final após as notícias no campo político.

O dólar subiu 1,48% ante o real, aos R$ 3,6476. Pela manhã, ele até chegou a ceder, dando continuidade ao movimento de sexta-feira, quando investidores se posicionaram na venda de moeda na expectativa de que, no domingo, as manifestações a favor do impeachment fossem bem-sucedidas.

Os protestos foram, de fato, mais um fator de pressão sobre o governo, mas profissionais do mercado avaliavam que a crise política está longe de um desfecho. Ao mesmo tempo, as cotações baixas para a moeda americana, após o recuo mais recente, abria espaço para compras. Isso fez o dólar, em menos de 10 minutos de sessão, migrar para o território positivo ante o real.

Já as notícias que surgiram à tarde foram mais positivas que negativas para o governo, na visão do mercado. Perto das 16 horas, fontes ouvidas pelo Broadcast informaram que, com o aval de Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu articular a votação de uma proposta que reduziria os poderes de ela governar. Seria o "semiparlamentarismo", que permitiria à petista se manter no cargo sem ser afastada definitivamente pelo impeachment. O primeiro-ministro seria o vice-presidente Michel Temer.

Além disso, circulavam pelas mesas notícias de que Dilma aguarda apenas um telefonema de Lula confirmando que ele aceita ser ministro. Já a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu mandar para o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a denúncia e o pedido de prisão feitos pelo Ministério Público estadual contra Lula no caso do tríplex. Na prática, a decisão sobre possível prisão de Lula ficou mais para frente, enquanto o petista pode virar superministro a qualquer momento, o que lhe daria foro privilegiado.

Em meio a estas notícias políticas, o dólar à vista renovou máximas na reta final e, às 16h59, marcou R$ 3,6511 (+1,57%). Depois, terminou muito próximo do pico do dia, aos R$ 3,6476 (+1,48%).

O principal indicador da Bolsa brasileira encerrou o pregão com um recuo de 1,55% aos 48.867,33 pontos. Apesar do sinal negativo, o Ibovespa ainda acumula uma alta de 14,19% no mês e espaço, portanto, para realização de lucros de investidores com posição comprada.

O Ibovespa, por sua vez, firmou-se em queda na última hora de pregão, ao mesmo tempo que o dólar bateu máximas. O movimento aconteceu logo depois de circular pelas mesas de operação a notícia de que a presidente Dilma Rousseff estaria apenas esperando por um telefonema de Lula para nomeá-lo ministro.

As maiores baixas na carteira Ibovespa nesta segunda-feira foram de Petrobras PN (-8,53%), Usiminas PNA (-8,42%) e Rumo ON (-8,15%). As maiores altas foram de Braskem PNA (+6,23%), Fibria ON (+6,19%) e Suzano PNA (+5,02%).

O petróleo, que fechou em queda tanto na Nymex (-3,42%), em Nova York, quanto na ICE (-2,13%), em Londres, gerou pressão baixista sobre os papéis da Petrobrás ao longo de toda a sessão. Assim como a PN, a ON da petroleira encerrou o pregão em queda de 5,45%.

Assim como a Petrobrás, as ações da Vale refletiram a pressão negativa vinda da desvalorização de commodity. No dia em que o minério de ferro recuou 1,1% no mercado chinês, para US$ 55,5 a tonelada seca, a ON da Vale fechou em queda de 3,10%, e a PNA recuou 4,42%.

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