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Dólar dispara e Banco Central anuncia intervenção no câmbio

Depois de só observar a alta recente do dólar, a instituição decidiu intervir nas cotações por meio de dois leilões marcados para terça

Fabrício de Castro, Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 20h24

O Banco Central jogou a toalha. Depois de apenas observar a disparada recente do dólar, a instituição decidiu intervir nas cotações por meio de dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) marcados para a terça-feira. Para profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado, a ação é uma resposta ao estresse dos últimos dias e tende a fazer a moeda americana recuar em um primeiro momento.

Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, 4, o BC informou que ofertará US$ 3 bilhões por meio de dois leilões na terça-feira. A recompra do montante ocorrerá em 4 de novembro e em 2 de dezembro. O anúncio surge após o dólar à vista ter fechado em R$ 3,85 no balcão, com alta de 2,56% nesta sexta-feira e de 8,06% em seis dias. Era justamente esta pressão que vinha fazendo o mercado financeiro, nas últimas sessões: especular em torno da necessidade de o BC atuar.

"Os leilões podem mesmo fazer preço, dar uma derrubada no dólar. Mas tenho dúvidas se isso não é apenas um paliativo. Na terça-feira o dólar volta a ser negociado e o Congresso também retorna ao trabalho. E a questão política está muito complicada", avaliou um profissional da área de câmbio de corretora. Segundo ele, não será surpreendente se, após uma abertura em baixa, a moeda americana voltar a ganhar força pelos motivos de sempre: crise política e cenário de alta para o dólar também no exterior.

"Os leilões dão uma acalmada nos negócios só pelo fato de mostrar que o BC está vivo", comentou Alexandre Cabral, professor de Finanças que acompanha regularmente o mercado cambial. "Se não surgir nenhuma notícia ruim da área política no fim de semana prolongado, tem tudo para o dólar cair na terça-feira", acrescentou.

A despeito das dúvidas, chamou atenção o montante oferecido, de US$ 3 bilhões. Na última segunda-feira, a instituição já havia feito um leilão de linha de US$ 2,4 bilhões, mas naquele caso a operação era para rolagem de contratos que estavam para vencer. Desta vez, é dinheiro novo que entra no mercado, embora o prazo para devolução seja curto (em novembro e dezembro, caso não haja rolagem). O montante a ser oferecido na próxima terça-feira supera, por exemplo, os US$ 2 bilhões oferecidos em alguns dias de dezembro do ano passado.

Em dezembro, aliás, as operações do BC ocorreram para dar vazão à saída de fim de ano de recursos do País, quando as filiais enviam dividendos às matrizes no exterior. Agora, na avaliação dos profissionais, os leilões de linha buscam atender certa demanda por moeda no mercado à vista. Com eles, o BC também evita ter que mexer diretamente nas reservas internacionais, já que os dólares serão devolvidos no futuro. Ao resguardar as reservas, o Brasil tenta evitar um rebaixamento de seu rating (classificação de risco) pelas agências internacionais.

Dentro do Banco Central, a avaliação é de que as operações da próxima terça-feira são triviais e que o montante oferecido é pequeno. Além disso, a instituição lembra que as recompras ocorrerão em um prazo curto. 

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