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Dólar fecha quase estável, mas acumula queda de 1,2% em agosto

Clarissa Mangueira - O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 17h 13

Dólar à vista terminou a sexta-feira cotado a R$ 2,242

Epitacio Pessoa/Estadão
A cena eleitoral deve continuar sendo o principal determinante do mercado de câmbio no próximo mês

As expectativas em torno de uma possível vitória da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, reforçadas por indicadores econômicos fracos anunciados nesta sexta-feira, pressionaram para baixo o dólar, que fechou em queda pela quarta sessão consecutiva.

No fim do dia, o dólar à vista terminou cotado a R$ 2,2420 (-0,04%) no balcão. O volume de negócios totalizou US$ 1,649 bilhão. A moeda acumulou queda 1,62% nas últimas quatro sessões e fechou o mês de agosto com recuo de 1,23%. 

Pela manhã, foi divulgada uma série de indicadores negativos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,60% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que esperavam desde uma queda de 1,30% até estabilidade (0,00%), com mediana negativa de 0,40%. Na comparação com o segundo trimestre de 2013, o PIB recuou 0,90% no segundo trimestre deste ano. Os números do PIB apontam ainda que o Brasil entrou em recessão técnica.

Para a agência de classificação de risco Fitch, a contração na economia do Brasil no segundo trimestre ressalta desafios importantes que o próximo governo do País enfrentará, após a eleição presidencial de outubro. Segundo a agência, as perspectivas econômicas de médio prazo dependerão muito das medidas tomadas pela próxima administração para restaurar a confiança, reduzir o custo de fazer negócios e facilitar uma transição mais rápida em direção ao crescimento liderado pelo investimento. 

A Fitch disse também que o Brasil está passando por uma "desaceleração prolongada". "O crescimento médio em 2011 a 2013 foi de 2,1%, menos da metade da média de 4,5% no período de 2006 a 2010", afirmou.

Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, a recessão técnica na qual o Brasil entrou no segundo trimestre é mais um fator que "joga contra" a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, o cenário mais provável é de que isso contribua para manter a petista atrás de Marina Silva (PSB) nas intenções de voto para o segundo turno.

Além dos números da atividade econômica, foram anunciados os resultados fiscais do governo central e consolidado. O governo central informou que registrou déficit de R$ 2,196 bilhões em julho, o resultado mais fraco para o mês desde o início da série histórica, em 1997. Já o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 4,715 bilhões em julho, o primeiro resultado negativo para o mês na história.