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Dólar sobe 0,88% ante real, maior alta em 1 mês, com EUA e de olho no BC

BRUNO FEDEROWSKI - REUTERS

02 Julho 2014 | 17h 13

O dólar fechou nesta quarta-feira com a maior alta ante o real em um mês, em linha com o avanço da divisa no exterior, diante de novos sinais de que o mercado de trabalho norte-americano está em recuperação, alimentando expectativas de juros maiores nos Estados Unidos.

No Brasil, investidores entenderam que o Banco Central manterá a estratégia de dosar as rolagens de swap cambial, que equivalem a venda futura de dólares, para garantir que a moeda dos EUA oscile dentro da banda informal de 2,20 a 2,25 reais.

O dólar subiu 0,88 por cento, a 2,2243 reais na venda, maior avanço desde 2 de junho, quando a valorização foi de 1,55 por cento. A moeda norte-americana também subiu contra divisas importantes como o euro e o iene.

"Um dado bom sobre o mercado de trabalho norte-americano causa algum estrago, já que a ameaça de juros mais altos nos Estados Unidos continua à espreita", afirmou o gerente de operações do banco Confidence, Felipe Pellegrini, lembrando que o mercado também voltou sua atenção para o relatório de emprego dos Estados Unidos que será divulgado na quinta-feira.

Pela manhã, foi divulgado que as empresas norte-americanas contrataram 281 mil trabalhadores em junho, marcando o maior aumento mensal no segmento privado desde novembro de 2012 e bem acima das expectativas do mercado, segundo o Relatório Nacional de Emprego da ADP.

A alta do dólar ganhou força durante a tarde. Em meio ao ambiente de liquidez mais reduzida e poucas notícias, operadores aproveitaram para afastar ainda mais o dólar do piso informal de 2,20 reais, após a divisa flertar com níveis mais baixos nos últimos pregões.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1 bilhão de dólares, inferior à média diária do último mês, de cerca de 1,3 bilhão de dólares.

"À tarde, o mercado esvaziou e o dólar corrigiu aqueles exageros da semana passada. Ninguém quer fechar operações um dia antes de um dado tão importante", afirmou o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros, referindo-se ao relatório de emprego norte-americano.

Nesta sessão, o BC deu início à rolagens dos swaps que vencem em 1º de agosto, vendendo a oferta total de até 7 mil contratos. Com isso, rolou pouco menos de 4 por cento do lote total, correspondente a 9,457 bilhões de dólares.

Se mantiver esse ritmo, a autoridade monetária rolará cerca de 80 por cento do lote total, um pouco a menos do que fez no mês passado, quando rolou cerca de 85 por cento dos contratos que venceram nesta semana.

"O BC está sinalizando que esse nível de cotação, um pouco acima de 2,20 reais, é interessante, que não pega na inflação e ajuda a balança comercial", afirmou o operador de um importante banco nacional. O dólar tem oscilado aproximadamente entre 2,20 e 2,25 reais desde o início de abril.

O BC vem atuando diariamente no câmbio desde o fim de agosto. Até a véspera, colocou no total o equivalente a 61,68 bilhões de dólares em swaps novos no mercado, segundo a assessoria de imprensa da autoridade monetária.

Pela manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps nas rações diárias, todos com vencimento em 2 de fevereiro de 2015 e volume equivalente a 198,9 milhões de dólares. Também foram ofertados contratos para 1º de junho, mas nenhum foi vendido.