NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Dona da Ibmec vai lançar faculdade popular com cursos à distância

Cursos serão oferecidos em 220 polos pelo País e as mensalidades variam de R$ 250 a R$ 320

Dayanne Sousa, Broadcast

16 Outubro 2017 | 12h41

Conhecida por ser dona do Ibmec e um dos dez maiores grupos de ensino superior que atuam no Brasil, a Adtalem Educacional vai entrar no mercado de faculdades de massa.

A empresa de origem norte-americana lança nesta segunda-feira, 16, cursos de graduação a distância com preços em linha com os praticados pelos que lideram esse negócio no Brasil: gigantes como Kroton, Estácio e Unip.

Os cursos de EAD serão oferecidos por meio da marca Damásio-Unifavip em 220 polos espalhados por todos os Estados brasileiros. Os preços das mensalidades variam de R$ 250 a R$ 320. Os valores são próximos à média do mercado, que é de R$ 279, segundo a consultoria especializada Hoper Educação. É ainda um preço parecido com o da líder Kroton, que no primeiro semestre de 2017 tinha um tíquete médio de R$ 263 no EAD.

"Há uma tendência de longo prazo de o ensino a distância ganhar espaço, se igualar e até superar o ensino presencial em número de matrículas no futuro. É esse potencial que estamos enxergando", diz o diretor de Ensino à Distância da Adtalem, Pedro Regazzo.

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O novo modelo de negócios coloca a Adtalem - sétimo maior grupo de ensino superior do Brasil em receita - num embate direto com as líderes do ensino a distância. O segmento vem ganhando mais concorrência depois que um decreto flexibilizou as regras para abertura de novos polos.

Para analistas, a nova regulação aumenta a concorrência num segmento em que o tíquete baixo já tem sido uma característica. Nos últimos dois anos, em especial, com a redução do financiamento estudantil e queda no emprego, aumentou a sensibilidade dos estudantes a preço. Dados da Hoper Educação apontam que o valor das mensalidades no EAD vem caindo progressivamente desde 2014, chegando a um recuo de 9,5% em 2017 ante 2016.

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"Estudamos muito esse mercado e entendemos que não há espaço para um EAD mais caro. Não tem como ser muito diferente do que aquilo que se cobra hoje no mercado", diz Regazzo.

Trata-se de uma mudança no público típico da Adtalem. A empresa atuava até aqui em duas grandes faixas de preço: a mais alta, onde se encaixa o Ibmec, chega a ter mensalidades de cerca de R$ 4 mil. No segundo nível - onde se cobram mensalidades de cerca de R$ 1,5 mil - estão marcas da companhia como a Fanor, do Ceará, e Facid, do Piauí. O grupo ainda é dono da Damásio, conhecida por cursos preparatórios para concursos na área jurídica.

Com o novo modelo de negócios, a Adtalem espera capturar uma parcela do mercado de massa, usando para isso a fama de professores das suas marcas mais "premium". A companhia já tem a estrutura para gravação de vídeos e transmissão de aulas virtuais: a sede da Damásio possui diversos estúdios já acostumados a uma rotina de aulas a distância, que até então estavam sendo usados sobretudo no segmento de cursos preparatórios, que não são regulados da mesma forma que os cursos de graduação.

Atrair alunos para um modelo de EAD de massa pode ser, no entanto, um desafio. Grandes grupos investem pesado em campanhas de marketing na televisão aberta para reforçar suas marcas em períodos de matrícula. "Quem entra agora nesse mercado e não tem a mesma força de comunicação precisa mostrar qualidade", diz Regazzo.

Expansão. As novas regras para o EAD, publicadas em junho, retiraram a obrigação de o Ministério da Educação visitar individualmente os polos, que são unidades de apoio presencial para os cursos á distância. A quantidade de polos que as faculdades abrem agora depende apenas da nota que a instituição tenha nas avaliações do MEC.

Com as novas regras, a Adtalem passou a poder abrir até 150 polos ainda em 2017 e outros 150 em 2018. Desse total de 300, a companhia vai abrir de fato 220 polos até fevereiro do ano que vem, ofertando 11 cursos em cada um.

Sob as novas regras, o potencial de inauguração de novos polos poderia beirar os mais de 400 por ano, mas a expansão da rede ainda não é um foco da Adtalem, segundo Regazzo. Os 220 polos dessa primeira leva são, na verdade, pontos de franquias da rede Damásio, ou seja, pertencem a empresários que já se relacionam com o grupo. No setor, a alocação de polos em empreendimentos de parceiros é algo bastante comum, mas o executivo da Adtalem considera que uma expansão muito forte pode prejudicar o relacionamento com esses parceiros.

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