Assine o Estadão
assine

Economia

The Economist

Dou-lhe uma, dou-lhe duas... vendido pela web

Os leilões online estão mudando o mercado de arte, mas não o suficiente para revolucioná-lo

0

The Economist

01 Fevereiro 2016 | 03h00

Todo mundo parece concordar que os leilões online são importantes para o futuro do mundo da arte. Em 2013, o investidor ativista Daniel Loeb criticou duramente a Sotheby’s porque a casa de leilões não parecia “capaz sequer de elaborar um plano coerente contemplando uma estratégia de vendas pela internet, quanto mais implementar algo parecido”. Não se pode dizer que a observação tenha passado em brancas nuvens: no ano passado, por exemplo, a Sotheby’s se associou com o eBay para realizar cinco leilões exclusivamente online. A Christie’s organiza por conta própria as vendas que faz pela internet. Acrescente-se a isso uma profusão de startups e a impressão que se tem é que um número crescente de leiloeiros online vende um número cada vez maior de obras de arte. Tão interessantes quanto as mudanças causadas pelos leilões online no mercado de arte são os aspectos desse mercado que não estão sendo modificados por eles.

Em 2014, as vendas online de arte chegaram a US$ 3,6 bilhões, ou 6% do total mundial de vendas, segundo a European Fine Art Foundation (TEFAF). Antes os céticos diziam que os colecionadores se mostrariam refratários às vendas online, pois não poderiam inspecionar pessoalmente suas potenciais aquisições. Mas o diretor de desenvolvimento digital e marketing da Sotheby’s, David Goodman, sustenta que as vendas online continuarão crescendo, com os compradores “confortavelmente comprando mais peças a preços mais variados”.

Investidores influentes concordam com isso. Peter Thiel e Jack Dorsey, fundadores, respectivamente, do Paypal e do Twitter, estão entre os financiadores de uma startup chamada Artsy. A empresa tem um extenso catálogo online de obras de arte, e no ano passado lançou uma plataforma de leilões online. Galeristas de destaque, como David Zwirner, de Nova York, e Jay Jopling, de Londres, investem na Paddle8, outra casa leiloeira online, que afirma que suas vendas dobraram no ano passado. A principal consequência disso é o rompimento da panelinha que até agora controlava o mundo da arte. Qualquer colecionador que informe previamente os dados de seu cartão de crédito pode fazer lances nas vendas online da Sotheby’s e da Christie’s. A Paddle8 se orgulha de que 39% das pessoas que visitam seu site têm entre 18 e 34 anos.

Por outro lado, mesmo que os leilões online consigam atrair novos colecionadores, ainda não roubam negócios das casas de arte convencionais. Segundo Sebastian Cwilich, da Artsy, sua empresa quer somar forças com galerias e casas de leilões, e não concorrer com elas. Em outubro, por exemplo, a Artsy realizou um leilão em conjunto com a Sotheby’s. A Paddle8 quer complementar a atuação de Sotheby’s e Christie’s, oferecendo principalmente obras com preços entre US$ 1 mil e US$ 100 mil. A maior ameaça é para as casas de leilões menores, de atuação local.

De modo geral, a atuação das empresas online ainda não é capaz de revolucionar o mercado de arte. Algumas delas talvez estejam tornando o mercado ainda mais opaco que antes. A Paddle8, por exemplo, não divulga os preços finais depois que os leilões são encerrados.

© 2016 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

Mais conteúdo sobre:

Comentários