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Economia brasileira inicia 2º tri com alta de apenas de 0,12%, mostra BC

CAMILA MOREIRA - REUTERS

13 Junho 2014 | 12h 52

A atividade econômica brasileira iniciou com fraqueza o segundo trimestre, em um cenário de inflação alta e confiança estremecida e com a indústria e o consumo sem conseguir deslanchar.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu apenas 0,12 por cento em abril sobre março, quando o indicador teve variação positiva de 0,05 por cento, segundo números dessazonalizados. O número de março foi revisado de um recuo de 0,11 por cento divulgado anteriormente pelo BC.

Pesquisa Reuters apontava para estagnação do índice, espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a mediana de 19 projeções.

A apesar de mostrar leve aceleração de um mês para o outro, o indicador não foi suficiente para apagar avaliações sobre a possibilidade de a economia encolher no segundo trimestre e até de recessão técnica, quando há retração por dois trimestres seguidos.

"Embora não trabalhe com esse cenário (de recessão), não acho se possa descartá-lo", disse o economista-chefe da Votorantim Corretora Roberto Padovani, que por enquanto projeta expansão de 0,3 por cento no segundo trimestre sobre o anterior, porém com "clara percepção de que é otimista".

Diante do mau desempenho da indústria, dos investimentos e do consumo das famílias, a economia brasileira desacelerou no primeiro trimestre e o PIB cresceu apenas 0,2 por cento na comparação com os últimos três meses do ano passado. O crescimento muito baixo soma-se à inflação em patamar elevado e às dúvidas sobre a condução da economia, minando de forma constante a confiança tanto dos consumidores quanto dos empresários.

Já há projeções de retração no segundo trimestre sobre os três meses anterioresm, como o banco Santander, que vê queda de 0,2 por cento.

O resultado do IBC-Br reflete os dados fracos de atividade vistos em abril, quando a produção industrial recuou 0,3 por cento sobre o mês anterior. Nem o varejo, uma das únicas fontes de crescimento mais constantes da economia nos últimos anos, vem conseguindo se sustentar. As vendas em abril caíram 0,4 por cento, segundo mês de queda, mostrando que o consumidor vem sentindo o peso da inflação elevada e do crédito mais caro, resultado do aperto monetário promovido pelo BC, que levou a Selic para os atuais 11 por cento.

"Crescimento bastante fraco e inflação persistente acima de 6 opor cento estão gradualmente levando a economia para um cenário de estagflação", disse em nota o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Na comparação com abril de 2013, o IBC-Br recuou 0,67 por cento e acumula em 12 meses alta de 2,19 por cento, ainda segundo dados dessazonalizados.

A expectativa de economistas na pesquisa Focus do BC é de que o PIB crescerá apenas 1,44 por cento neste ano, abaixo dos 2,3 por cento vistos em 2013. Já o próprio BC vê, pelo menos por enquanto, que a economia terá expansão de 2 por cento em 2014.