Rafael Neddermeyer/Fotos públicas
Rafael Neddermeyer/Fotos públicas

Economia com novo patamar da Selic é de R$ 7,85 bilhões por ano

Redução da taxa básica de juros de 8,25% para 7,5% fará com que os gastos anuais do governo federal com o pagamento de juros da dívida caia de R$ 86,6 bilhões para R$ 78,7 bilhões

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 21h18

A redução da Selic de 8,25% para 7,5% fará com que os gastos anuais do governo federal com o pagamento de juros da dívida caia de R$ 86,6 bilhões para R$ 78,7 bilhões. No total, o valor da economia é de R$ 7,85 bilhões, ou 9%, de acordo com cálculos do economista Fabio Klein, da consultoria Tendências.

Caso a taxa básica de juros chegue a 7% em dezembro, conforme projeta o mercado, a economia será de R$ 13,1 bilhões por ano, aproximadamente 45% do orçamento do programa Bolsa Família. Os cálculos consideram apenas a parte da dívida diretamente atrelada à Selic, que é 30% do total de R$ 3,3 trilhões da dívida pública interna. "O valor economizado não é nada desprezível, principalmente quando se está numa situação com a nossa, de briga por um ajuste fiscal", destaca o economista Paulo Picchetti, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

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Em outubro do ano passado, quando a Selic estava a 14%, o gasto anualizado com o pagamento de juros da parte da dívida que está atrelada à Selic chegava a R$ 147 bilhões.

Para o economista Daniel Silva, da gestora de fundos Modal Asset, essa economia do governo é importante sobretudo no curto prazo. Ele destaca, entretanto, que a redução da Selic não resolve o problema da dívida bruta, que chegou a 73,7% do PIB em agosto. "A notícia (da economia gerada) é importante no âmbito fiscal e ajuda no curto prazo, mas, para que consigamos estabilizar a dívida bruta no longo prazo, é preciso fazer a reforma da Previdência."

Sem a reforma, acrescenta Silva, será difícil manter a Selic no patamar atual e, uma elevação da taxa básica de juros, faria com que os gastos do governo com serviço da dívida voltassem a crescer.

Na avaliação do economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, a economia com juros da dívida "ajuda muito pouco" o País. "A emoção está nas contas primárias (que excluem os gastos com os juros da dívida). E, para melhorá-las, ainda é preciso reformar os gastos públicos, como Previdência e assistência social", acrescenta.

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