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Economistas apontam soluções para o Brasil sair do atoleiro econômico

Após um 2015 muito pior do que o previsto, saídas apontadas para a crise brasileira passam pelo já muito debatido controle das contas públicas e também pela política de juros, pelo incentivo à indústria e pelo abandono da política de benesses a setores específicos

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O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2016 | 03h00

Há um ano, quando o Estado publicou este caderno de artigos, havia um consenso entre economistas de diferentes correntes de que 2015 seria “desafiador”, para resgatar um termo muito utilizado na época. Nem o mais pessimista deles, porém, conseguiu imaginar que a deterioração ocorreria de maneira tão rápida e profunda. O que era chamado genericamente de crise transformou-se no que promete ser a pior recessão em quase cem anos, uma depressão, como definiu o banco de investimentos americano Goldman Sachs em relatório divulgado no início de dezembro.

Nesta edição, a grande discussão é como o País chegou a esse ponto e, reconhecido o estrago, como vai sair do atoleiro. As divergências imperam.

Alguns argumentam que a recessão tem fatores históricos estruturais: “Nos preocupamos com o estabelecimento de uma sociedade mais igual e mais justa, contudo não há nenhum sinal de que o crescimento econômico tenha tido especial atenção na agenda de aprimoramento institucional”, defende Luiz Schymura. Outros, porém, como Affonso Celso Pastore, argumentam que “o desastre foi cuidadosamente plantado pelo governo”.

Também não há consenso sobre como desatar o nó. Se para David Kupfer “muito mais do que o reequilíbrio fiscal, pura e simplesmente, a saída da recessão passa pela recuperação da produção industrial”, José Roberto Mendonça de Barros tem convicção de que o “País não sairá do buraco em que fomos metidos sem uma boa consolidação fiscal, que consiga alterar a atual tendência de elevação descontrolada da dívida pública.”

Tais divergências derivam de um certo entendimento de que há muitos detalhes a corrigir na política econômica do Brasil. Marcos Lisboa e Zeina Latif atentam para a necessidade de se rever benesses distribuídas a setores determinados empresariais, Edmar Bacha para a atuação do Banco Central e Amir Khair para a política dos juros.

Mas prevalece ao menos um entendimento: 2016 será um ano tão ou mais duro do que foi 2015. Como definiu José Luis Oreiro: “Ainda teremos que conviver por um longo tempo com um quadro recessivo. Feliz 2017 para todos nós.”

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