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Pela primeira vez mercado prevê dólar a R$ 4 em 2016

Boletim Focus, do Banco Central, traz previsões de 100 analistas de mercado; expectativa para dólar no fim de 2015 está em R$ 3,86

Victor Martins, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 09h06

BRASÍLIA - Pela primeira vez a projeção para a taxa de câmbio ao fim de 2016 atingiu os R$ 4,00 no boletim Focus, publicação semanal na qual o Banco Central reúne as expectativas de cerca de 100 analistas. Em 02 de janeiro o mercado tinha outra visão, esperava uma taxa de R$ 2,80 - de lá para cá o ajuste foi de 42,86% na estimativa. Essa forte correção ocorre quase duas semanas depois de o Brasil ter sido rebaixado pela Standard & Poor's, agência de classificação de risco que também tirou do País o grau de investimento, que é uma espécie de selo de bom pagador.

Na semana passada, a projeção para 2016 estava em R$ 3,80. Com o ajuste entre uma semana e outra, a alta foi de 5,26%. Há quatro edições do Focus a estimativa era de R$ 3,60. 

Para 2015, a expectativa para a taxa de câmbio ao fim do ano subiu de R$ 3,70 para R$ 3,86 - nível aquém do fechamento da última sexta-feira, quando o dólar fechou cotado a R$ 3,95. Há quatro semanas a expectativa era de encerrar o ano em R$ 3,50.

Diante desses ajustes, a taxa média de câmbio também foi alterada. Para 2015 passou de R$ 3,32 para R$ 3,38; para 2016, de R$ 3,75 para R$ 3,91. Há quatro semanas essas estimativas eram de R$ 3,23 e R$ 3,55 respectivamente. Essas previsões podem piorar ainda mais nas próximas semanas enquanto o Brasil tenta não ser rebaixado por outras agências de classificação de risco e o governo tenta passar no Congresso o retorno da CPMF como forma para recompor as contas públicas. 

PIB. A perspectiva de retração da economia este ano passou de 2,55% para 2,70% - um mês antes estava em queda de 2,06%. Para 2016, a mediana das previsões passou de queda de 0,60% para queda de 0,80% ante taxa de baixa de 0,24% de quatro semanas atrás.

Inflação. Pela sétima semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação no Relatório de Mercado Focus, subindo de 5,64% para 5,70% - há um mês, estava em 5,50%. No caso da inflação de 2015, a mediana passou de 9,28% para 9,34%. Há quatro semanas, estava em 9,29%. 

As projeções do mercado financeiro para os IGPs subiram em todos os períodos consultados pelo Banco Central. Para o IGP-DI de 2015, a mediana das estimativas passou de 7,77% para 8,25% - um mês atrás estava em 7,69%. Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus pulou para 5,75% ante  5,57% na semana passada.

No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana subiu de 7,77% para 7,86%, ultrapassando a expectativa apresentada um mês atrás, de 7,74%. Para 2016, o ponto central da pesquisa subiu de forma expressiva, de 5,67% para 5,76% - quatro edições anteriores estava em 5,53%.

Sobre o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, a estimativa para 2015 foi elevada de 9,30% para 9,46% de uma semana para outra. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 9,23%. Para 2016, no entanto, a expectativa caiu de 5,18% para 5,07% de uma semana para outra. Um mês antes, estava em 5,30%. 

Selic. Para este ano, as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela oitava semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que permaneceu em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Já para 2016, o documento divulgado hoje pelo Banco Central, mostrou alta na mediana das previsões, passando de em 12,00% ao ano, depois de três semanas consecutivas neste nível, para 12,25% - há quatro edições do documento estava em 12%. A Selic média do ano que vem também foi alterada de 13,13% para 13,38%, a segunda alta consecutiva. Há um mês essa expectativa era de 13,13%. 

Superávit comercial. A mediana das previsões para o superávit da balança comercial de 2016 subiu de US$ 20 bilhões para US$ 21,3 bilhões de uma semana para outra - há quatro edições do documento estava em US$ 16,8 bilhões. Para 2015, o ponto central da pesquisa ficou estável em US$ 10 bilhões de uma semana para outra. Quatro boletins atrás, estava em US$ 8 bilhões.

Orçamento. O mercado piorou as projeções de déficit nominal para 2015, 2016, 2017 e 2019, diante das dificuldades que o governo enfrenta para dar continuidade ao ajuste fiscal e da pressão de parlamentares que tentam derrubar a proposta de recriação da CPMF - uma das esperanças da equipe econômica para recompor as contas públicas. Para este ano, a expectativa é de que o rombo nas contas públicas fique em 8% do Produto Interno Bruto (PIB). Até semana passada esse número era ligeiramente menor, de 7,9%.

Os dados mostram que para 2016 a projeção de déficit nominal aumentou de 6,80% para 7,0%; para 2017 subiu de 5,84% para 5,92%; para 2019 pulou de 4,50% para 4,70%. O único que apresentou estabilidade foi 2018, ficando em 5%.

Os analistas acreditam também que o País voltará a ter superávit primário apenas em 2017, quando será feita uma economia de 1% PIB para pagamento de juros. Para 2015 a previsão é de um déficit primário de 0,20% e, para 2016, a expectativa é de ficar em zero. As previsões ainda colocam em dúvida as promessas do governo de entregar um superávit de 0,15% este ano e de 0,70% no ano que vem.

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