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Guadalupe Pardo|REUTERS

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Economistas veem alta de 0,5 ponto na taxa de juros esta semana

Em meio a uma nova piora para as projeções de inflação, analistas consultados pelo BC preveem que a Selic será elevada para 14,75% no primeiro Copom do ano

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Célia Froufe,
O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 09h11

BRASÍLIA - Em semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, analistas do mercado financeiro reforçaram aposta de que haverá alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros na quarta-feira. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano e passará para 14,75% ao ano, de acordo com a pesquisa semanal realizada pelo BC com cerca de 120 instituições financeiras.

Para o fechamento do ano, o boletim mostra que a expectativa é de uma taxa de 15,25% ao ano - a mesma do levantamento anterior. Quatro semanas atrás, estava em 14,75% ao ano.

Já para 2017, a mediana das estimativas para o juro subiu de 12,75% para 12,88%, o que implica numa divisão do mercado. Metade dos analistas ainda acredita que o juro ficará em 12,75%, enquanto a outra metade já começa a acreditar que o nível dos juros no encerramento de 2017 será de 13%. 

Essa primeira reunião do Copom de 2016 - que será realizada na terça e quarta-feira - já é apontada com uma das mais difíceis e polêmicas desde que Alexandre Tombini assumiu a presidência do BC, no início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Com a artilharia do PT agora voltada contra a autoridade monetária, após a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, Tombini e sua equipe desta vez também estão sob maior fogo cruzado dos economistas do mercado financeiro. 

Para o BC, que já indicou nos últimos dias a inclinação pelo aumento dos juros, a maior preocupação hoje é coordenar as expectativas e, dessa forma, evitar a indexação dos preços com a inflação passada.

O relatório Focus desta segunda-feira mostrou uma nova rodada de alta de estimativas de analistas para a inflação em 2016 e 2017. A mediana das projeções para a inflação deste ano passou de 6,93% para 7,00%, ante 6,87% de um mês atrás. Com essa atualização, nota-se que o mercado não acredita na promessa do BC de levar a inflação para um ponto dentro do intervalo do centro (4,5%) e do teto (6,5%) este ano. 

Além de reforçar esse alvo, em carta aberta, Tombini escreveu que conta com uma desinflação ao longo deste ano causada, sobretudo, pelos preços administrados e do setor de serviços, em meio à recessão que atravessa o País.

O grupo dos economistas que mais acertam as previsões, Top 5 de médio prazo, está mais descrente ainda nessa promessa. Para essas cinco instituições, o IPCA encerrará este ano em 7,54%. Na semana a anterior, o ponto central estava em 7,49% e, quatro semanas atrás, em 7,28%. Esta é a sexta semana consecutiva em que há alta das estimativas deste grupo. 

Na pesquisa geral, a mediana das projeções para o IPCA de 2017, que é quando o BC promete entregar a inflação no centro da meta, também subiu. Passou de 5,20% para 5,40% no Boletim Focus de hoje - um mês atrás estava em 5,17%. Com isso, ficou mais distante do objetivo do BC de levar a inflação para mais perto de 4,50% no fim do ano que vem. 

PIB. As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, por sua vez, seguem no terreno negativo, mas as estimativas de 2017 mostram alguma expectativa de recuperação, ainda que não seja tão forte. A mediana das estimativas permaneceu em -2,99% para 2016, como já apontava no levantamento anterior - há quatro semanas, a aposta era de queda menor, de 2,80%. 

Pouco mais de um ano atrás, na primeira pesquisa Focus de 2015, os especialistas consultados pelo BC acreditavam que haveria crescimento este ano, de 1,80%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 1,00%. Com o aumento visto hoje nas projeções a taxa volta para o patamar verificado há duas semanas - na semana passada, havia recuado para +0,86%. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem também era de 1,00%.

A produção industrial segue como principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de 3,47% para este ano ante -3,45% prevista na semana passada. Para 2017, as apostas são de expansão de 1,80% para a indústria - na semana passada, a mediana estava em 1,98%.

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