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Ele quer ser o homem mais rico do mundo

Nilson Brandão Junior e Márcia Vieira - O Estadao de S.Paulo

26 Janeiro 2008 | 00h 00

Com uma fortuna de US$ 16 bi, Eike Batista quer deixar Bill Gates para trás

O empresário Eike Batista, 51 anos, dono de uma fortuna estimada em US$ 16 bilhões, está rindo à toa. Bastante vaidoso, parece feliz com o reconhecimento das recentes jogadas bilionárias que fez no mundo dos negócios. Por causa delas, vem aparecendo mais na mídia, às vésperas do carnaval, do que a ex-mulher Luma de Oliveira, que já foi musa da festa. Agora, Eike prepara-se para ser garoto propaganda de um extenso road show global para levantar recursos para um fundo que investirá no Brasil, costura a entrada dos japoneses da Sumitomo no grupo, finaliza a compra de três minas de carvão no exterior e amarra a instalação de uma siderúrgica na área do seu Porto do Açu, no norte do Rio. "Vou ser o maestro da orquestra. Você não vai a uma filarmônica sem um maestro legal. Eu tenho de ir pessoalmente a esse road show", disse ao Estado. O projeto parece megalomaníaco, como os demais em que o empresário se envolveu. Ele quer montar um fundo de private equity (participação em empreendimentos) injetando US$ 2 bilhões do próprio bolso e captando de US$ 13 bilhões a US$ 18 bilhões com investidores internacionais. Apesar da possível recessão nos Estados Unidos, ele acredita na viabilidade do projeto, programado para ir para a rua em meados do ano. "Vai dar certo", ele aposta. Eike é considerado um tomador de risco nato e extremamente competitivo. Praticante de offshore, uma forma de corrida de lanchas de alta velocidade, orgulha-se de ter batido o recorde da travessia entre Santos e Rio, um trajeto que completou em 3h01m47s, mais precisamente entre a Ilha da Moela, na cidade paulista, e o início da Praia de Copacabana. O recorde foi quebrado numa terça-feira, em janeiro de 2006. Ao terminar a corrida, disse que a sensação era parecida com a de ser um milk shake no liqüidificador, por conta da alta velocidade. Um dos seis filhos do ex-ministro das Minas e Energia do governo João Goulart e ex-presidente da Vale, Eliezer Batista, Eike começou a ganhar dinheiro comprando e vendendo ouro e com a produção de metal na Amazônia. Nos anos 80, virou acionista da canadense TVX Gold, empresa da qual saiu no fim dos anos 90, com perto de US$ 1 bilhão no bolso. Foi a primeira vez que ganhou tanto dinheiro. Por ser filho de Eliezer, sobraram críticas de que ele seria supostamente privilegiado por dicas que teria pela proximidade com o pai. O empresário, que morou dos 12 ao 23 anos na Alemanha, país onde nasceu sua mãe, nega a versão e afirma que ele e os irmãos - Dietrich, Helmut, Lars, Werner e Monica - sempre foram mantidos afastados da vida profissional do pai. "Isso é um mito total. Essas minas de ferro que ele comprou para montar a MMX não têm segredo algum que tinha minério ali. Todo mundo sabia", diz um empresário amigo de Eike. Para pessoas próximas a Eike, parece claro que, mesmo não tendo sido beneficiado, ele teve o privilégio de conviver com o pai, considerado um dos maiores formuladores de projetos em infra-estrutura do País. Depois de deixar o setor de ouro, Eike diversificou e partiu para novas frentes, invariavelmente começando do zero, vendendo a idéia para investidores potenciais e atraindo parceiros estratégicos, não raro, inicialmente com até 30% do negócio. Nos últimos três anos, avançou no desacreditado setor de mineração, onde criou a MMX. Há duas semanas, uma parte significativa da empresa foi vendida por US$ 5,5 bilhões para a Anglo American, empresa com capital sul-africano e inglês, que já havia entrado na fase inicial do projeto. Hoje o grupo atua nas áreas de mineração, energia, petróleo e logística, respectivamente, com as empresas MMX, MPX, OGX e LLX - a letra final representa um "fator de multiplicação", diz ele. A holding do grupo chama-se EBX. Apenas nos últimos três meses, Eike ofuscou a Petrobrás num leilão de poços de petróleo, ao comprar 21 blocos por R$ 1,4 bilhão, abriu o capital da MPX captando R$ 2,03 bilhões, vendeu um naco da MMX e ainda inaugurou o Pink Fleet, barco para passeios turísticos na Baía de Guanabara, acompanhado da atual namorada, Flávia Sampaio. "Esse ativo foi vendido até com o objetivo de mostrar para todo mundo e calar muita gente sobre isso. Solidifica o que a gente faz", diz o empresário, que, entre outras vaidades, ostenta cinco automóveis importados na garagem. Eike, que habitualmente trabalha de calça jeans, camiseta básica ou social azul clara, blazer e tênis, julga ser o homem mais rico do País e provavelmente o 30º do mundo - embora as listas existentes ainda não o incluam. Segundo o último ranking da Revista Forbes, o brasileiro mais rico é o banqueiro Joseph Safra (US$ 6 bilhões). E emenda sorrindo: "Meu objetivo é passar o Bill Gates em cinco anos. O Brasil tem de ser o número um."

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