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Eletrobrás coloca prazo para vender ativos

Presidente da estatal pretende se desfazer de seis distribuidoras até o fim do ano; companhia também busca investidores para outros negócios

O Estado de S.Paulo

03 Junho 2017 | 05h00

A Eletrobrás pretende realizar licitações para vender as seis distribuidoras de eletricidade que atuam no Norte e Nordeste entre novembro e dezembro deste ano, segundo o presidente da estatal, Wilson Ferreira Jr.

Atualmente, o BNDES trabalha com a companhia para fazer uma avaliação financeira das distribuidoras e definir o modelo em que deverão ser privatizadas. Uma das alternativas em estudo é a licitação das distribuidoras num bloco só. Ou seja, um único investidor ou grupo ganharia a concessão de todas as concessionárias juntas.

“Entre julho e agosto devemos ter o modelo de venda e a avaliação dessas empresas. Nós entendemos que devemos ter esse processo de venda entre o fim de novembro ou dezembro”, disse Ferreira.

No ano passado, as seis distribuidoras da Eletrobrás tiveram prejuízo de R$ 6,9 bilhões. No primeiro trimestre, o resultado já estava negativo em R$ 1 bilhão. Segundo fontes do setor, as concessionárias do Nordeste têm sinergia e interessados. As do Norte, no entanto, são muito problemáticas. Em entrevista ao Estado no início deste ano, o presidente da Eletrobrás afirmou que não esperava arrecadar muito dinheiro com as distribuidoras, mas que a folga que a venda das empresas daria na estatal seria bem grande.

Geração e transmissão. A Eletrobrás ainda buscará levantar cerca de R$ 5 bilhões com a venda de participações em ativos de geração e transmissão de energia. As controladas da Eletrobrás têm participação minoritária em 178 Sociedades de Propósito Específico (SPEs), sendo 41 na área de transmissão e o restante em geração.

O banco BTG foi contratado para avaliar o valor desses ativos, o que deverá ser concluído em julho. O processo de levantamento do valor desses ativos ainda está no início, apurou o Estado com fontes a par do assunto. Ainda não há propostas para o conjunto de negócios.

Segundo Ferreira, esses ativos deverão ser negociados no segundo semestre, a princípio em dois pacotes: um que reunirá parques eólicos e um com empreendimentos de transmissão.

A Eletrobrás também não descarta vender a participação de 48% na hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, uma das maiores do mundo. Nesse caso, porém, a estatal aguardará a posição dos demais sócios, que, segundo o executivo, estão avaliando a contratação de bancos para vender suas fatias na usina.

Os controladores, detentores de 52% de Belo Monte, contrataram o Bradesco BBI para vender o ativo. Fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que o processo de venda de Belo Monte está bem no início. Há interesse da Eletrobrás em acompanhar os controladores na venda do negócio, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

“A gente pode acompanhá-los no valor que eles venderem... dependendo do preço que for oferecido, nós consideraremos”, disse Ferreira Jr.

A Cemig, que é uma das sócias da Eletrobrás em Belo Monte, colocou sua fatia na usina em seu plano de desinvestimentos anunciado na quinta-feira. /REUTERS, COLABORARAM RENÉE PEREIRA E MÔNICA SCARAMUZZO

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