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Eletrobrás ganha R$ 9 bi em valor de mercado após anúncio de privatização

Os papéis da estatal fecharam com avanços de 49,30% (ON) e 32,08% (PNB) no pregão desta terça-feira, 22; com essa forte valorização, o valor de mercado da estatal elétrica alcançou o patamar de R$ 29 bilhões

Renato Carvalho, Broadcast

22 Agosto 2017 | 18h05

O anúncio de que o governo pretende privatizar a Eletrobrás agradou o mercado e as ações da estatal dispararam nesta terça-feira, 22, com a ON chegando a subir 50%. O movimento resultou em um aumento de R$ 9 bilhões no valor de mercado da estatal. Outra elétrica que se destacou foi Cemig, com sinais mais positivos em relação às usinas que a União pretende leiloar. A Estácio registrou hoje sua nona alta consecutiva. Somente sete ações fecharam em baixa no Ibovespa, e somente Marfrig ON (-1,11%) caiu mais de 1%.

Os papéis da Eletrobrás fecharam com avanços de 49,30% (ON) e 32,08% (PNB). Com essa forte valorização, o valor de mercado da estatal elétrica disparou, e alcançou um patamar de R$ 29 bilhões, segundo levantamento da Economatica. 

Os analistas consideram que o anúncio de desestatização da Eletrobrás deve ter muitos efeitos positivos para a companhia e, consequentemente, para os acionistas. No entanto, eles ressaltam a necessidade de maiores informações sobre os detalhes da operação, principalmente sobre como seria realizado o aumento de capital da estatal.

O BTG Pactual cita notícias sobre os possíveis modelos que a União adotará para realizar a privatização, como a alternativa de realizar um aumento de capital de R$ 20 bilhões e diminuir a participação do governo no total de ações ON da Eletrobras dos atuais 69% para 47%.

Os analistas Maria Carolina Carneiro, Thiago Silva e André Sampaio, do Santander, acreditam que o valor da Eletrobrás pode chegar potencialmente a R$ 69 por ação usando múltiplos de mercado. Eles lembram que as iniciativas recentes de cortes de custos podem melhorar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em cerca de R$ 1,6 bilhão por ano, e um plano de venda de ativos pode obter outros R$ 5 bilhões.

Neste contexto, a privatização pode gerar ainda mais valor aos acionistas, segundo os analistas do Santander, já que os novos acionistas podem acelerar o processo de reestruturação da empresa. "No entanto, precisamos de mais detalhes para calcular impactos potenciais para o valor patrimonial justo", diz o Santander. Entre eles, o relatório cita a definição de provisões fora do balanço que devem ser incluídas nos editais de licitação da privatização, e esclarecimentos sobre se o governo sairia totalmente da empresa ou deixaria de ser acionista majoritário. 

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Segundo operadores, a reação positiva dos investidores ao anúncio feito ontem pelo MME teve reflexos em toda a Bolsa, levando o Ibovespa acima dos 70 mil pontos, maior patamar desde 2011. Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram Banco do Brasil ON (+4,37%), Bradesco ON (+3,79%) e Petrobras ON (+3,70%). A ação PN da Petrobrás avançou 3,37. No setor financeiro, subiram ainda Bradesco PN (+2,26%), Santander Brasil Unit (+2,14%) e Itaú Unibanco PN (+2,12%), além de B3 ON (+3,06%).

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As siderúrgicas também melhoraram de desempenho nas últimas horas de pregão, e chegaram a atingira as máximas. Isso ocorreu principalmente após a realização da Oferta Pública da Aquisição de Ações (OPA) para troca de ações ON por PN da Gerdau, realizada pela Metalúrgica Gerdau, que envolveu 70.714.542 ações, com movimentação superior a R$ 900 milhões.

Gerdau PN subiu 2,99%, e Metalúrgica Gerdau PN avançou 3,26%, fechando na máxima. Também encerraram o dia em alta Usiminas PNA (+3,83%) e CSN ON (+1%). As ações da Vale tiveram desempenhos mais discretos, com a ON em alta de 0,35%, e a PNA com valorização de 0,34%.

Cemig. Depois de Eletrobrás, o melhor desempenho dentro do Ibovespa hoje ficou com Cemig PN (+8,58%). Segundo operadores, há sinalizações positivas com a disputa pelas usinas de Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande, já que os leilões foram suspensos pelo desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiou o julgamento previsto para hoje do recurso apresentado pela Cemig sobre Jaguara.

Segundo o advogado Vitor Alves de Brito, que defende a Cemig, o adiamento do julgamento sinaliza disposição do governo federal para um acordo com a companhia.

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o leilão, previsto para setembro, "está marcado". Ele afirmou que a empresa mineira está tentando levantar recursos no BNDES e em outros bancos para tentar manter as usinas que serão devolvidas à União. "Vamos analisar a proposta da Cemig como a proposta de outras operadoras. Do nosso ponto de vista, o importante é que a proposta seja financeiramente viável e atenta os interesses da União", afirmou.

Estácio. A diminuição da participação da família Zaher e o aumento da fatia da gestora de investimentos Advent continua gerando efeitos positivos para a ação da Estácio, segundo operadores. A ação registrou hoje seu nono pregão consecutivo de valorização, e acumula ganhos superiores a 25% neste período. Hoje, Estácio ON fechou com avanço de 4,70%.

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Analistas consideram que a história de sucesso da gestora de private equity no setor de ensino conta pontos num momento de transformação da segunda maior companhia de educação privada brasileira. Além disso, a empresa está apostando no ensino a distância e anunciou seu interesse em aquisições, contratando o BTG Pactual como assessor.

O Ibovespa fechou em alta de 2,01%, aos 70.011,25 pontos. Em agosto, o índice acumula avanço de 6,21%, e em 2017, ganhos de 16,25%. O giro financeiro nesta terça ficou em R$ 11,7 bilhões, segundo dados preliminares.

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