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Economia

Imóvel

Em 2015, imóvel subiu menos do que a inflação

Índice FipeZap mostra que, quando se desconta a inflação, o metro quadrado apresentou queda de preço de cerca de 8,5% em 2015

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Hugo Passarelli,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 05h00

O recuo do crédito e o aumento do desemprego ajudaram a esfriar o ritmo de alta do preço dos imóveis em 2015. O valor do metro quadrado anunciado em 20 cidades brasileiras subiu 1,32% no ano passado, de acordo com o Índice FipeZap Ampliado. É a menor alta já registrada na série histórica do indicador de 2008.

O dado ainda representa uma queda real (descontada a inflação) de 8,5%, na comparação com a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado. Nesta sexta-feira, serão conhecidos os números oficiais do IPCA de 2015.

Das 20 localidades que compõem o indicador, todas registraram variação menor do que a inflação. Já nas cidades de Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Niterói houve queda nominal dos preços durante o ano passado.

“Com o cenário de crise não dava para imaginar que seria diferente”, afirma Eduardo Zylberstajn, pesquisador e coordenador da pesquisa.

E, diante da expectativa de prolongamento do cenário recessivo da economia, o indicador pode fechar 2016 em queda pela primeira vez. “Todos os fatores determinantes para recuo dos preços estão presentes: desemprego alto, salários em queda, taxa de juros elevada e crédito escasso”, diz Zylberstajn.

Nas estimativas do pesquisador, o índice FipeZap pode recuar até 6% neste ano. Ele faz a ressalva, contudo, de que pode existir uma boa margem de erro na projeção porque a metodologia para estimar o indicador nunca foi testada em cenários de recuo do valor do metro quadrado, um fato inédito na história recente do Brasil.

A perda de fôlego do setor é evidenciada no comportamento dos preços dos imóveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, que representam juntos quase 50% do indicador.

Na capital fluminense, o pico de alta no preço dos imóveis ocorreu em 2010, quando a valorização do metro quadrado chegou a 39,63%. No ano passado, contudo, houve um recuo de 1,36% pelo Índice FipeZap. Já em São Paulo, o auge do boom marcou uma valorização 26,96% no metro quadrado, em 2011, e desacelerou para um avanço de 2,51% em 2015.

Crise. A restrição do crédito para compra da casa própria é uma das explicações para o recuo da procura por imóveis e o seu reflexo sobre os preços. Além de a crise econômica ter freado a disposição dos consumidores em assumir uma dívida de longo prazo, os bancos também se tornaram mais restritivos na concessão de financiamento.

Isso porque a caderneta de poupança, usada como uma das principais fontes de recursos para o setor, registrou saques de mais de R$ 58 bilhões nos primeiros onze meses de 2015.

No mesmo intervalo, foram destinados R$ 70,8 bilhões para aquisição e construção de imóveis, de acordo com a Abecip, entidade que reúne os bancos que captam recursos da poupança para financiar a habitação. O volume representa uma queda de 30,7% em relação ao verificado no mesmo intervalo de 2014.

Desconto. Apesar do cenário adverso para os negócios no segmento, Zylberstajn destaca a “rigidez” de preços que é característica do mercado imobiliário.

“Parece que, para alguns vendedores, é mais fácil subir os preços do que baixar. Quando as condições se deterioram, há aqueles que esperam mais para vender no lugar de baixar os preços”, afirma.

Esse comportamento, ressalta o pesquisador, pode resultar em perdas financeiras para vendedores com a atual conjuntura da economia.

“Se o dono do imóvel ‘carregá-lo’ de um ano para o outro já deixa de ganhar a rentabilidade que poderia ter com aplicações atreladas ao CDI (balizador da rentabilidade da renda fixa), ainda mais no cenário de juros e inflação elevados. O melhor seria baixar o preço porque, de um jeito ou de outro, o vendedor vai perder”, diz o pesquisador.

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