Em busca da felicidade profissional

Livro mostra como homens de negócios ilustres alcançaram a satisfação no que fazem

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2012 | 03h11

Se dinheiro fosse o único motor de satisfação de um trabalhador, boa parte dos dilemas da vida de um profissional estariam resolvidos. Na hora de mudar de emprego, por exemplo, bastaria optar pela oferta mais generosa.

Mas, quando antes do dinheiro, o profissional leva em conta a identificação com a marca para a qual trabalha ou o propósito da função que vai exercer, a escolha fica muito mais complicada. Não há um, mas vários caminhos possíveis - essa é a tese do livro Felicidade S.A., do jornalista Alexandre Teixeira.

A reflexão sobre o tema surgiu de uma encruzilhada profissional na vida do próprio Teixeira. Depois de 20 anos escrevendo sobre economia, negócios e gestão como jornalista - mais recentemente, para a revista Época Negócios -, ele viu a necessidade de fazer um trabalho mais "autoral". Ao se interessar especialmente pelo aspecto de administração de talentos no último emprego, decidiu tirar um sabático para escrever Felicidade S.A., lançado nesta semana pela Arquipélago Editorial.

A esposa o acompanhou no processo: deixou o emprego de executiva de finanças para migrar para a área da gastronomia. Hoje, faz estágio em um restaurante e planeja abrir um negócio próprio. Em busca de satisfação pessoal, explica Teixeira, eles pararam o que estavam fazendo e mudaram de direção. "Decidimos fazer essa mudança e hoje vivemos da poupança que juntamos ao longo dos anos."

Claro que nem todo mundo tem condições financeiras - ou disposição - de parar tudo para refletir os caminhos profissionais. Nessa hora, cada um tem um estilo e Felicidade S.A. tem o objetivo de mostrar que não existem fórmulas prontas. Por isso, o livro traz depoimentos de empresários e executivos como Abilio Diniz (Pão de Açúcar), Sérgio Chaia (Nextel), Fabio Barbosa (ex-BancoReal/Santander, atualmente na Editora Abril) e Luiz Seabra (Natura). Todos, diz ele, encontraram o bem-estar profissional de maneira diferente.

Metas vazias. Uma das descobertas que esses homens de negócio fizeram ao longo do caminho é que alcançar um objetivo de vida pode ser, muitas vezes, decepcionante. Só quando "chega-se lá" é que se descobre que a busca, no fim das contas, foi em vão. Foi o que aconteceu com Sérgio Chaia, que, na realidade, tinha o grande sonho de ser jogador de futebol. "Quando isso não aconteceu, ele definiu outra meta ambiciosa: tornar-se presidente de uma grande companhia antes dos 40 anos de idade", explica Teixeira.

Chaia conseguiu. Aos 36 anos, estava à frente da operação brasileira da companhia de alimentação francesa Sodexo. No topo, porém, não achou a vista tão bonita - o poder não preenchia o vazio. Foi então, buscar o bem-estar espiritual: adotou a filosofia budista e hoje vive de acordo com ela. Tudo isso sem precisar viver em um eterno retiro espiritual. Chaia continuou a carreira de executivo e hoje comanda a Nextel.

Algo semelhante ocorreu com Abilio Diniz. Ele só foi perceber que trilhava o caminho errado quando o Pão de Açúcar enfrentou uma severa crise, e quase quebrou, no início dos anos 90. Logo depois, foi sequestrado. O empresário passou a fazer terapia e começou a reavaliar as próprias metas. Isso, diz o autor de Felicidade S.A., refletiu-se em sua visão de negócio. "Ele é um exemplo de pessoa que foi infeliz com o que fazia até um determinado momento. Foi preciso transformar o homem para mudar a empresa."

Os exemplos do livro mostram também que poder aliar estilo de vida e trabalho é um privilégio para poucos - o profissional que pode se dar ao luxo de pensar em felicidade corporativa é um privilegiado, já que a maioria das pessoas tem de se preocupar apenas em pagar as contas do mês. "Antes de mais nada, esse grupo de profissionais precisa ter bem claro em mente que fazem parte de uma elite", diz Teixeira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.