DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Em dia de decisão sobre Lula, Ibovespa fecha em queda de 0,31%

Recuperação de ações nos EUA limitaram perdas do índice brasileiro, que terminou o pregão aos 84.359,68 pontos

Ana Luísa Westphalen, Paula Dias, Simone Cavalcanti e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 10h22
Atualizado 04 Abril 2018 | 19h09

O fator externo se sobrepôs ao sentimento de cautela dos investidores com o cenário doméstico e ajudou o Ibovespa a voltar ao patamar dos 84 mil pontos, perdidos na primeira parte da sessão de negócios. O índice fechou em queda de 0,31%, aos 84.359,68 pontos.

O giro financeiro foi de R$ 8,9 bilhões, considerado baixo e uma indicação de acautelamento que, segundo analistas, se fez mais presente de segunda-feira para cá. O volume é bem abaixo da média diária do ano, que está em R$ 11 bilhões.

Durante a manhã, o mercado acionário brasileiro chegou a cair 2% e perdeu o patamar dos 83 mil pontos. O dólar praticamente zerou os ganhos frente ao real.

O foco do mercado está no julgamento de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF). No recurso, o petista pede para ser mantido em liberdade até o trânsito em julgado do processo que o condenou a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Os 11 ministros da Corte retomarão o debate a partir das 14 horas, e os investidores já esperam que a decisão fique para amanhã. 

+ Economia à Vista: 04/04/2018: como o STF pode prejudicar a economia brasileira

O julgamento que vai definir se Lula poderá ser preso imediatamente ou se permanecerá em liberdade também irá sinalizar o entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância, com impacto na execução penal de, pelo menos, outros 20 condenados nessa instância da Lava Jato.

As blue chips, que mais indicam as tensões do investidor em dias como hoje, encerraram o pregão com sinais distintos. Enquanto Petrobras ON e PN recuaram 0,35% e 1,59%, respectivamente, Vale ON teve queda de 0,75% e Bradesco PN perdeu 0,86%, Itaú Unibanco PN ganhou 0,65% e Banco do Brasil valorizou 0,83%.

Dólar. O compasso de espera dos investidores pelo desfecho do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula também deu o tom dos negócios no mercado de câmbio. Mas a expectativa não chegou a gerar estresse nas cotações do dólar, que oscilaram próximas da estabilidade durante quase todo o período da tarde. Ao final da sessão no mercado à vista, a divisa ficou em R$ 3,3402, em alta de 0,04%.

Exterior. Os mercados acionários americanos apagaram as perdas vistas no início do pregão, apoiados por ações de companhias de tecnologia, que renovaram sucessivas máximas, deixando de lado a maré baixista. A aversão a risco havia tomado conta dos mercados acionários globais pela manhã após Pequim ter anunciado a imposição de tarifas a produtos americanos. A lista abrange mais de cem itens, entre eles soja, aviões e carros. A iniciativa de Pequim veio um dia depois de Washington revelar planos de taxar produtos chineses também estimados em US$ 50 bilhões.

Os principais índices acionários de Nova York terminaram a sessão perto das máximas intraday. O Dow Jones subiu para 24.264,30 pontos (+0,96%) e o S&P 500 teve alta para 2.644,69 pontos (+1,16%). Já o Nasdaq retomou o nível dos 7 mil pontos, encerrando a sessão com ganho de 1,45%, aos 7.042,11 pontos.

O setor de tecnologia teve desempenho especialmente melhor em relação aos demais. As ações da Apple terminaram com ganho de 1,91% e as da Amazon subiram 1,33%. Apesar disso, os papéis do Facebook tiveram perdas de 0,65%, no mesmo dia em que a empresa elevou de 50 milhões para 87 milhões o número de perfis afetados pelo uso inadequado de dados.

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