Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

Em Pernambuco, Temer diz que quer ser lembrado por projetos que iniciou no Nordeste

Segundo presidente, projeto de integração entre as bacias do São Francisco e do Tocantins deve ser concluído em quatro ou cinco anos e permitirá que sirva como seu legado

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2018 | 14h12

BRASÍLIA - Durante cerimônia de Inauguração da 2ª Estação de Bombeamento do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em Cabroró (PE), o presidente Michel Temer disse que encerrou a cultura política brasileira de paralisar obras de governos antecessores e afirmou que também quer ser lembrado pelos projetos que iniciou no Nordeste.

"Estamos dando sequência a essa extraordinária obra, que começou lá atrás e continua com empenho de todos nós", disse, sem citar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tive o prazer de em um ano de oito meses de governo romper com a cultura, muito tradicional na atividade administrativa, de não manter obras adequadas", completou.

Temer afirmou que assim que voltar para Brasília vai assinar a autorização para que se iniciem os estudos para a integração da bacia do São Francisco com a bacia do Tocantins. "Vou assinar ainda hoje", disse o presidente que, no entanto, não tem a previsão de retornar a capital nesta sexta-feira e deve seguir de Cabrobó para São Paulo.

Segundo Temer, esse projeto de integração entre as bacias deve ser concluído em quatro ou cinco anos e permitirá que sirva como seu legado. "Espero que daqui a uns anos, lá pra frente, alguém venha aqui nesta tribuna e diga 'foi o Temer que começou', 'foi o Temer que pacificou a questão aquífera no Nordeste brasileiro'", afirmou.

Antes de discursar, Temer ouviu do palanque diversas citações ao ex-presidente Lula. "Eu quero agradecer ao presidente Lula, que iniciou essa obra", afirmou o prefeito de Cabrobó (PE), Marcílio Cavalcanti (MDB). O governador de Pernambuco em exercício, Raul Henry (MDB), também citou que foi Lula que iniciou a obra, mas exaltou o fato de Temer continuá-la. "O senhor como estadista deu continuidade a obra", disse.

Já o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) fez uma fala de defesa do presidente, exaltou a recuperação econômica. "O senhor não veio a Cabrobó disputar a paternidade de obra com ninguém", disse.

O ministro da Integração nacional, Helder Barbalho, também tentou minimizar a participação de Lula na obra e afirmou que o "debate de paternidade é um debate pequeno". "Essa obra é do povo brasileiro, do povo nordestino", disse. "Essa obra é maior do que qualquer pessoa".

A segunda estação de bombeamento do Eixo Norte, em Cabrobó, de acordo com o governo, vai reforçar o abastecimento a 9,2 mil habitantes do município. Com o funcionamento desta nova estação, a água do Rio São Francisco será elevada a 58,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 19 andares. A expectativa, segundo o governo, é que até o final deste ano, mais de 7 milhões de pessoas dos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte recebam as águas do São Francisco.

De acordo com o ministério da Integração Nacional, a ordem de serviço assinada pelo governo federal, no valor de R$ 6,5 milhões, será destinada para o início da obra de recuperação e modernização da Barragem Barra do Juá, localizada em Floresta (PE), e para o Eixo Leste, que já está em funcionamento.

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Previdência. Na cerimônia, Temer voltou a defender a reforma da Previdência e afirmou que ele teve coragem de "colocar o dedo na ferida" para fazer as reformas. "Para mim seria extremamente cômodo que eu ficasse em silêncio sobre essa matéria, mas eu seria cobrado no futuro", disse.

Temer voltou a citar o déficit da previdência de R$ 268 bilhões no ano passado, disse que ele é crescente e deve chegar em breve a R$ 300 bilhões. "Não temos preocupação com impopularidade, mas com o Brasil", afirmou, citando novamente que sem a reforma os aposentados podem deixar de receber.

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O presidente afirmou que a proposta inicial foi melhorada, que o governo está tentando fazer "uma reforma suave" para prevenir que os aposentados não percam o benefício. "Não vamos mexer com sistema previdenciário dos trabalhadores rurais", disse. "A única coisa que vamos fazer é igualar teto dos trabalhadores público e privado", completou.

Temer citou ainda as outras reformas feitas pelo seu governo e que no caso das mudanças no ensino médio ele teve coragem de resolver uma questão antiga. "Ninguém teve peito e coragem de botar dedo na ferida". O presidente citou também a reforma trabalhista e disse que ela tem gerado empregos. "Eu fui lá, botei o dedo na ferida e fizemos a modernização trabalhista", afirmou.

Como tem feito em todos os seus discursos, Temer citou a redução da inflação e do juros, a lei de modernização das estatais e a recuperação da Petrobrás. "A Petrobrás virou um palavrão, mas hoje é enaltecida", disse.

O presidente repetiu também que a oposição terá que fazer um discurso contra as reformas e contra a melhora na economia para se contrapor ao seu governo. "Em ano eleitoral, quem se opor ao nosso governo terá de dizer que é contra teto gastos", declarou.

 

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