ANDRÉ DUSEK/ESTADAO
ANDRÉ DUSEK/ESTADAO

Em reunião de emergência, Dilma pede unidade do governo e agilidade nos cortes

Havia a expectativa de que as primeiras decisões relativas a cortes de gastos fossem anunciadas ainda nesta quinta-feira, o que não ocorreu

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 12h47

(Texto atualizado às 18h40)

BRASÍLIA - Em reunião de emergência convocada após o País perder o grau de investimento pela agência Standard & Poor's, a presidente Dilma Rousseff pediu unidade do governo e determinou agilidade nos anúncios das medidas para reverter a situação das contas públicas.

Havia a expectativa de que as primeiras decisões relativas a cortes de gastos fossem anunciadas ainda nesta quinta-feira, 10, à tarde, durante a entrevista que será concedida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na entrevista, no entanto, Levy se limitou a reforçar que o governo precisa construir uma ponte de estabilidade fiscal e disse, sem detalhar, que um conjunto de medidas será divulgado ainda em setembro.

Mais cedo, durante a convocação para a reunião, havia incerteza sobre a participação de Levy, mas depois a assessoria do Palácio do Planalto confirmou a presença do ministro da Fazenda. Segundo fontes, Joaquim Levy se articula para tentar reduzir déficit do Orçamento de 2016.

Segundo um ministro que participou do encontro, a posição do governo é "reconhecer as dificuldades financeiras" e demonstrar que está preparado para tomar todas as "medidas de caráter emergencial" que são necessárias para adotar uma forte "política de austeridade fiscal". 

Depois de patrocinar sucessivas tentativas frustradas de criação ou aumento de impostos, o Palácio do Planalto está convencido que o melhor caminho é "cortar na própria carne", ou seja, investir na chamada reforma administrativa e diminuir os gastos da máquina pública.

As decisões não serão anunciadas de uma vez só, mas a conta gotas, conforme forem definidas pela equipe econômica. Não entraria, neste primeiro momento, a definição de quais ministérios serão cortados.

Apesar de garantir que Dilma não pretende acabar com nenhum programa social, o ministro afirmou que será feito um "pente fino" nos benefícios que são pagos pelo governo, para "combater todo tipo de fraudes" e otimizar os gastos. Um exemplo das medidas que o Planalto pretende adotar é fazer um recadastramento do chamado seguro defeso, alvo de diversas denúncias de irregularidades. 

Após a decisão da S&P, Dilma reuniu os principais ministros do governo no Planalto para discutir como reagir ao rebaixamento. O vice-presidente Michel Temer também participou do encontro. O peemedebista era um dos que sempre defendeu a tese de que, antes de elevar impostos, o governo deveria diminuir despesas.

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