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Em um ano, 2,5 milhões de pessoas entraram na fila do desemprego

Número representa uma alta de quase 40% em relação ao trimestre encerrado em outubro de 2014 e é o maior avanço da população desocupada desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012

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Idiana Tomazelli,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 10h51

RIO - A fila de desemprego continua crescendo no País, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre até outubro de 2015, um total de 2,5 milhões de pessoas passaram a buscar uma vaga, alta de 38,3% em relação a igual período de 2014. O avanço é o maior já verificado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Com esse movimento, o Brasil tinha, no trimestre até outubro do ano passado, 9,1 milhões de desempregados.  Já a taxa de desocupação subiu para 9% no período, também o maior resultado da série e o décimo aumento seguido do indicador - que completa quase um ano de rápida deterioração.

A intensa redução no número de trabalhadores com carteira assinada é um dos fatores por trás da alta na procura por emprego, explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. No trimestre até outubro de 2015, 1,2 milhão de pessoas perderam o emprego formal em relação a igual período do ano anterior, segundo a Pnad Contínua.

"O emprego com carteira tem FGTS, plano de saúde, uma série de garantias. Há a própria garantia do emprego. Mas os brasileiros têm tido a estabilidade afetada, um rendimento menor. Diante disso, outros membros da família (antes inativos) acabam saindo para buscar emprego", explicou Azeredo. "O maior contingente de desocupados é esperado para janeiro. Esse resultado quebra a sazonalidade da série", completou o coordenador.

A entrada de 2,5 milhões de pessoas na fila da desocupação em um ano mostra que a busca por emprego tem crescido em ritmo cada vez mais intenso. "Enquanto ocorrer redução na carteira assinada, a tendência é isso (procura por vaga) aumentar", afirmou Azeredo.

Uma das saídas encontradas por essas pessoas é trabalhar por conta própria. Em um ano, a modalidade ganhou 913 mil novos adeptos, segundo o IBGE. "Isso não é uma opção. É uma falta de opção. Ele precisa virar conta própria, porque está tendo perda de renda e emprego", disse.

É por isso que a ocupação não tem tido grandes reduções, segundo o coordenador do IBGE. No trimestre até outubro de 2015, houve queda de 0,3% na população ocupada ante igual período do ano anterior (-285 mil vagas), variação considerada estatisticamente estável pelo órgão.

"Não é a população ocupada que está caindo. Essas pessoas estão se inserindo no mercado de trabalho por outros meios", frisou. Como o rendimento da pessoal que vive por conta própria é menor, porém, há a necessidade de que outros membros da família complementem os ganhos.

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