Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Embrapa Territorial vai observar o País além das fazendas

Nova unidade analisará o uso e ocupação de terras pela agropecuária para tentar ajudar o País a crescer na produção com sustentabilidade

Leticia Pakulski, ENVIADA ESPECIAL, CAMPINAS (SP)

11 Dezembro 2017 | 21h57

A Embrapa inaugurou nesta segunda-feira, 11, em Campinas (SP) uma nova unidade, que vai compilar e analisar dados sobre o território brasileiro, para subsidiar a tomada de decisão do poder público e da iniciativa privada. “A Emprapa Territorial chega para fortalecer o avanço da agropecuária brasileira”, diz o presidente da empresa, Maurício Lopes. “Ela faz parte de um processo amplo de atualização da empresa e atende ao contexto de dificuldade pelo qual o País passa. Temos de buscar eficiência e um foco mais acurado.”

Segundo Evaristo de Miranda, chefe geral da nova unidade, o momento é de ampliar o foco. “Agora a empresa é desafiada a olhar além dos limites das fazendas, olhar para territórios.”

Segundo ele, olhar o território brasileiro com inteligência envolve analisar o uso e a ocupação de terras pela agropecuária para verificar como o País pode crescer na produção com sustentabilidade e ser mais competitivo no mercado externo. Ele afirmou que os resultados da nova unidade “serão entregues em pouco tempo”.

Conforme Miranda, no âmbito do agronegócio, uma das principais contribuições da Embrapa Territorial é o sistema de inteligência territorial da macrologística agropecuária, que terá seus primeiros resultados divulgados no final de fevereiro de 2018. O projeto vai se estender por 18 anos.

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“A agropecuária, que tem a maior demanda logística e a maior carga, superior à da mineração, não conta com um sistema de inteligência da sua logística”, apontou. Ele ressaltou que o sistema combina uma análise sobre a evolução da área e produtividade das 10 principais culturas do Brasil, uma avaliação sobre todos os modais disponíveis para escoamento dessa produção e uma pesquisa de como os insumos chegam e a produção sai das áreas de cultivo.

“Identificamos 30 obras consideradas prioritárias para aumentar a competitividade do agronegócio”, destacou.

CAR. Miranda também citou a análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo os quais 177 milhões de hectares no País foram destinados pelos produtores à preservação da vegetação nativa. As terras imobilizadas foram avaliadas pela Embrapa em R$ 3,2 trilhões.

“A gente vai estudar a dimensão econômica e social disso. A sociedade precisa reconhecer o esforço desses agricultores e encontrar uma forma de compensação por isso.”

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A criação da Embrapa Territorial não envolveu gastos adicionais e conta com a parceria de outras 30 unidades da estatal. Além disso, estão em negociação parcerias com o setor privado. “Temos dezenas de contratos com cooperativas, empresas e organizações rurais que atestam o desenvolvimento desta unidade”, diz Miranda.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, presente ao lançamento, disse que a nova unidade vai ajudar o governo e a iniciativa privada a tomar decisões no futuro. Segundo ele, os dados sobre logística poderão orientar investimentos em infraestrutura tanto públicos como privados.

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Maggi voltou a dizer que a forte atuação do Brasil no mercado internacional causa reação dos competidores. “Somos exportadores para mais de 150 países. Esse crescimento do Brasil incomoda muita gente”, disse. O ministro considera que mesmo com um “ativo ambiental fantástico”, o Brasil não é respeitado ou reconhecido por isso. “Temos que aproveitar a oportunidade de nos reposicionarmos com inteligência e dar outro salto futuro. Essa inauguração (da Embrapa Territorial) vem nessa direção.”

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