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Emprego na indústria cai 0,7% em maio, pior resultado desde 2009, e mostra fragilidade

CAMILA MOREIRA - REUTERS

11 Julho 2014 | 12h 11

O emprego na indústria brasileira recuou 0,7 por cento em maio frente a abril, pior resultado mensal em pouco mais de cinco anos e que reforça o cenário de contração do setor e desaceleração da economia como um todo neste ano.

O número de maio é o mais fraco desde março de 2009 (-0,8 por cento) e, após a queda de 0,4 por cento em abril, o emprego na indústria acumula perda de 2,2 por cento nos cinco primeiros meses do ano, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira

Além do recuo do emprego, os trabalhadores da indústria ainda enfrentaram queda de 0,8 por cento no número de horas pagas em maio sobre abril, com as perdas chegando a 2,7 por cento no acumulado do ano.

A indústria brasileira vem mostrando desempenho sofrível este ano e sem perspectivas de virar o jogo em breve, impactando as expectativas sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

Em maio, a produção industrial recuou 0,6 por cento, terceiro mês seguido no vermelho, com destaque para os investimentos.

FUTURO DESANIMADOR

Indicadores divulgados recentemente já apontam nova retração em junho, como a queda de 3,38 por cento no volume de vendas de papelão ondulado em junho sobre igual período de 2013.

O diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, já projeta retração da produção industrial entre 1,0 e 1,5 por cento em junho e o cenário de encolhimento do setor no ano dificilmente será evitado. O próprio Banco Central vê contração de 0,4 por cento da indústria, enquanto economistas na pesquisa Focus projetam perda de 0,67 por cento.

Soma-se a isso um cenário de fraqueza generalizada da confiança, de inflação elevada e de crédito restrito. E o consumo, que dava sustentação à economia, também fraqueja.

"(O emprego industrial) é mais um indicador que confirma que alguns setores da economia estão num processo de retração. Provavelmente o varejo vai começar a dar sinais de fraqueza, o consumo das famílias vem perdendo fôlego e o investimento não vai retornar nessa situação de incerteza", avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Em abril as vendas no varejo recuaram 0,4 por cento, no segundo mês seguido de perda, e as atenções se voltam agora para a divulgação na quarta-feira dos números de maio.

Em 2013, o PIB do Brasil cresceu 2,5 por cento, mas após expansão de apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre deste ano na comparação com os três meses anteriores, as projeções de especialistas apontam para expansão de cerca de 1 por cento em 2014.