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Emprego retrocede cinco anos em um

Enquanto o período 2009-2014 liderava contratações de baixa qualificação, passa-se em 2015 a demitir fortemente empregos pouco produtivos

Tiago Cabral Barreira*

O desemprego das seis Regiões Metropolitanas medido pela PME encerra o ano com média de 6,8%. É o maior valor desde 2009, quando a crise global se disseminava e a oferta de crédito se contraía pelo mundo. Naquela época, o governo engatinhava as primeiras medidas de recuperação e estímulo à indústria e ao emprego, com políticas anticíclicas de desoneração tributária, aumento do crédito a bancos públicos, bem como de juros subsidiados pelo BNDES. Estava instalado o modelo de crescimento que, aprofundado pela Nova Matriz Econômica, nortearia a política econômica dos próximos anos.

Entre 2009 e 2014, o desemprego caiu de 8,1% para 4,8%, tornando a economia próxima ao pleno emprego. Nesse período, setores beneficiados pela alta do crédito, como a construção civil e comércio, lideravam as contratações com altas de 11,3% e 5,3% no emprego, respectivamente. São setores fortemente intensivos em empregos de baixa produtividade, tornando possível um mercado de trabalho aquecido em meio à desaceleração da atividade econômica nos últimos anos. A renda também se elevaria fortemente em meio à crescente escassez de mão de obra pouco qualificada.

Enquanto o período 2009-2014 liderava contratações de baixa qualificação, passa-se em 2015 a demitir fortemente empregos pouco produtivos. A então escassez de trabalhadores se reverte em crescente ingresso de trabalhadores, sobretudo idosos e jovens, com alta de 0,6% da PEA sobre 2014. A taxa de desemprego retorna ao mesmo patamar de 2010, quanto atingia 6,7%, destruindo em um ano os empregos criados nos últimos cinco.

*Pesquisador em Economia do Trabalho do Ibre/FGV

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