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‘Empresa brasileira vive cenário de pesadelo’, diz agência Fitch

- Atualizado: 12 Fevereiro 2016 | 08h 48

Em relatório, agência de classificação de risco diz que risco econômico, político e fiscal deve levar empresas a grau especulativo

A Fitch atribuiu perspectiva negativa para 53% das empresas

A Fitch atribuiu perspectiva negativa para 53% das empresas

SÃO PAULO - Num relatório intitulado “Carnaval, válvula de escape para a tristeza”, a agência de classificação de risco Fitch Rating traça um cenário nebuloso para as empresas brasileiras. Na avaliação da agência, que retirou o grau de investimento do Brasil no fim do ano passado, a continuidade dos riscos econômicos, fiscais e políticos, aliada à recente baixa dos preços das commodities, deve levar o rating (nota) das empresas nacionais ao grau especulativo.

Na carteira brasileira, a Fitch atribuiu perspectiva negativa para 53% das empresas. Apenas 6% têm perspectiva positiva. “A combinação de demanda em queda, aumento do desemprego e inflação, taxas de juros altas, preços de commodities em baixa, volatilidade cambial e aperto no crédito criou um cenário de pesadelo para as empresas brasileiras.”

Segundo o relatório da agência, assinado por quatro analistas, o fluxo de caixa das companhias neste ano deve cair para níveis inferiores aos verificados na última década. A Fitch considera que apenas 19% das empresas emissoras de papéis, com ratings internacionais, têm forte capacidade de enfrentar os desafios de 2016 sem danos a seus perfis de crédito. 

Para a agência de rating - segunda a rebaixar o Brasil, depois da Standard & Poor’s -, com a queda da geração de caixa e alavancagem em alta, o risco de refinanciamento deve subir. “Apesar da pequena quantidade de títulos vencendo em 2016, será preciso sustentar posições de liquidez para arcar com as consideráveis dívidas com vencimento em 2017 e 2018.”

Nos últimos anos, a relação entre endividamento e fluxo de caixa das empresas brasileiras cresceu de forma expressiva, segundo a agência. Em 2011, a média era de 3,3 vezes; em 2014 subiu para 3,6 vezes; e em 2015 estava em 4,1 vezes. 

As maiores preocupações, segundo o relatório, são os setores com alto risco de crédito, como as empresas aéreas, de açúcar e etanol e de construção. “Também há receio quanto aos segmentos de siderurgia e mineração por causa do baixo preço do ferro e às empresas de médio porte no setor de consumo devido às limitadas alternativas de captação e à falta de liquidez.”

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