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Empresas podem pagar menos imposto na China

PEQUIM - O Estado de S.Paulo

16 Julho 2012 | 03h 05

Segundo o 'Financial Times', governo estuda reduzir em 50% o tributo sobre o lucro de companhias estrangeiras para estimular o investimento no país

As empresas estrangeiras que atuam na China terão os impostos sobre o lucro que tiram do país reduzidos em até 50% depois que regras sobre tributos retidos na fonte forem flexibilizadas como parte dos esforços do governo chinês para estimular mais investimentos externos. A informação é do jornal britânico 'Financial Times'.

Segundo o jornal, as reduções nos impostos retidos na fonte foram introduzidas pela China primeiramente em 2009, mas o processo para solicitar o corte era complicado. Agora, qualquer companhia aberta com sede em um país que tenha um tratado fiscal com a China será automaticamente qualificada para o alívio sobre os dividendos das operações chinesas, como foi anunciado no fim da semana passada pelos governos das províncias de Jiangsu e Tangshan.

Segundo o FT, Hong Kong, Cingapura e Reino Unido têm tratados sobre impostos com a China, bem como tradicionais paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman e Luxemburgo. A informação foi atribuída à empresa de auditoria KPMG.

Alguns outros países terão reduções de impostos limitadas, enquanto para investidores e empresas dos Estados Unidos as mudanças não farão diferença.

Na semana passada, a China informou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,6% no segundo trimestre deste ano, abaixo do avanço de 8,1% no primeiro trimestre, mas dentro das expectativas do mercado financeiro. Ainda assim, foi o pior desempenho da economia do país desde o primeiro trimestre de 2009, quando o mundo ainda vivia o auge da crise global.

Por isso, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, voltou a alertar que a recuperação econômica do país ainda não é estável e os obstáculos deverão prosseguir por algum tempo, segundo reportagem da agência de notícias estatal chinesa Xinhua veiculada no fim de semana.

Durante uma viagem de inspeção na província de Sichuan no sábado e no domingo, Wen pediu grandes esforços para fortalecer a vitalidade e o dinamismo do crescimento econômico.

"A taxa de crescimento da economia ainda está dentro da faixa alvo do governo estabelecida no começo deste ano e políticas de estabilização estão funcionando", observou Wen, de acordo com a Xinhua.

Âncora. O fato de o governo chinês anunciar um alívio nos tributos cobrados de empresas estrangeiras é mais um sinal de que Pequim decidiu adotar novas medidas de estímulo à economia.

A estabilidade da China é tida como a âncora do mercado global. Qualquer indício em direção a uma forte desaceleração do país pode ter impacto no mundo todo. A China é o principal destino das exportações brasileiras, puxadas pelas vendas de minério de ferro e soja.

Um quadro de recessão na China poderia, por exemplo, provocar uma piora na crise da Europa. Espanha e Grécia apresentaram as maiores taxas de desemprego de suas histórias e a Itália tem hoje uma dívida pública que equivale a 123% de seu PIB. / DOW JONES NEWSWIRES

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