Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Empresas 'seguram' preços de ovos de Páscoa

Após andar para trás no ano passado, indústria de chocolates absorve parte dos custos para evitar novo recuo na Páscoa

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2015 | 02h04

A estratégia das grandes marcas de chocolates para evitar uma Páscoa ruim é segurar parte da alta de custos do setor para que o consumidor não se assuste com os preços nas gôndolas. Apesar de a alta de 12,8% do dólar no ano passado ter afetado diretamente o custo dos produtos - já que o cacau é uma commodity cotada internacionalmente -, as empresas decidiram manter os reajustes de preço sob controle para que o setor pelo menos fique no "zero a zero" em relação a 2014.

A Nestlé está entre as companhias que prepararam uma Páscoa mais "frugal". Segundo o gerente de marketing de Páscoa da multinacional, Pedro Abondanza, a Nestlé decidiu focar os lançamentos em suas marcas mais fortes e retirou alguns produtos das gôndolas, entre eles o Lolo. A alta nos preços, segundo o executivo, ficará em 10% - no máximo. "Houve um esforço para minimizar o repasse de custos", afirma. O controle de preços também está sendo aplicado pela Garoto, que deverá aumentar os preços em 8% em relação à Páscoa de 2014.

Tanta cautela tem razão de ser: 2014 não foi um bom ano para a indústria de chocolates. De janeiro a setembro do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab), a produção nacional caiu 2% em relação ao mesmo período de 2013. "Estamos num cenário recessivo, de crescimento de PIB zero", disse Ubiracy Fonseca, vice-presidente da área de chocolates da entidade. Para 2015, o cenário é, no máximo, de manutenção dos patamares de 2014.

Apesar de estarem mais otimistas em relação ao próprio crescimento, as chocolaterias também decidiram segurar os preços para não assustar a clientela. A Cacau Show decidiu reajustar os preços em 7%, apesar de a alta de custos ter ficado acima deste patamar, segundo Alexandre Costa, fundador da Cacau Show.

No entanto, enquanto empresas como a Nestlé pretendem reduzir a produção em relação ao ano passado para evitar encalhes nos supermercados, a Cacau Show pretende elevar a quantidade de itens fabricados em 17% para a Páscoa em 2015.

"A perspectiva é de um crescimento de faturamento de 25%", diz o empresário, que pretende ter 1,8 mil unidades abertas no País até abril. A empresa, que faturou R$ 2,4 bilhões no ano passado, pretende fechar 2015 com 2 mil unidades. A Páscoa responde por um quarto das vendas anuais da Cacau Show.

A CRM, dona das marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau, projeta 20% de crescimento em relação à Páscoa de 2014 - a data concentra 30% de suas vendas anuais. Os preços, segundo Renata Moraes Vichi, vice-presidente de marketing da CRM, devem subir 8% em relação a 2014. A companhia, que faturou R$ 1 bilhão em 2014, pretende investir na expansão da Chocolates Brasil Cacau, rede popular criada para bater de frente com a Cacau Show, que deverá fechar o ano com 700 pontos de venda.

Sofisticação. Para Sergio Molinari, diretor da Food Consulting, o consumo de chocolates está se sofisticando no País - o que explica o ritmo mais veloz de expansão das redes especializadas em chocolates em relação às marcas que vendem em supermercados. Segundo o especialista, além de o acesso às chocolaterias estar mais fácil, pelo maior número de lojas, o varejo especializado oferece também mais opções de presentes aos consumidores. "Mesmo quem quer gastar pouco, pode trocar o ovo de Páscoa, que é mais caro, por bombons."

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