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Energia pode ficar ainda mais cara com usinas térmicas, diz governo

Estiagem pode requisitar produção de termoelétricas, caras e poluentes, que passam o ano desligadas à espera de uma queda no sistema

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 17h09

RIO - Em período de seca nos reservatórios hidrelétricos, os sinais são de que o consumidor vai pagar ainda mais pela eletricidade no curto prazo. Nesta segunda-feira, 30, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já aciona usinas térmicas, mais caras e poluentes, para poupar a água dos reservatórios

Em breve, porém, a situação deve ficar ainda mais crítica. Segundo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o governo admite contrariar o critério 'preço' na hora de definir a usina a ser acionada e passar a contratar térmicas que hoje estão paradas por terem preços muito superiores ao da média das usinas.

"Temos preocupação com a situação. Agora, começamos a ter sinais de alguma chuva que pode começar a vir. Mas já alertamos há um tempo de possível impacto nas tarifas ao consumidor", afirmou o ministro, antes de participar de almoço com empresários dos setores de energia e petróleo, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.

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A decisão de acessar essas usinas é do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que, nesse período de crise, passou a se reunir semanalmente. O próximo encontro será na quarta-feira, 1º de novembro, quando poderá ser definida a contratação das térmicas que produzem eletricidade a um preço mais alto.

Nesta segunda-feira, 30, a térmica mais cara que está sendo acionada é a UTE Flores, localizada na região Norte do País. O custo do megawatt-hora (MWh) dessa usina hoje é de R$ 808,99, inferior à média do sistema, de R$ 823,16, de acordo com o ONS. Isso acontece porque, com a escassez de água, algumas hidrelétricas estão gerando energia a um custo ainda maior que algumas usinas térmicas.

Existe, no entanto, um grupo de térmicas que operam a valores muito superiores ao da UTE Flores e por isso, por enquanto, não estão sendo acionadas.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já tinha dado o primeiro sinal de que a conta de luz vai aumentar em novembro, na semana passada, ao anunciar que a bandeira vermelha patamar 2, cobrada nos períodos mais críticos, foi reajustada em 42,8%. Com isso, a tarifa extra para cada 100 kilowatt-hora consumidos passou de R$ 3,50 para R$ 5. A novidade agora é que essa tarifa deve ser cobrada sobre um patamar de preço da energia também mais alto, caso o CMSE opte realmente por contratar eletricidade desse grupo de térmicas de alto custo.

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