Envelhecimento da população freará crescimento econômico

O progressivo envelhecimento da população nos países industrializados desacelerará o crescimento econômico mundial a médio prazo, afirmou, nesta quarta-feira, o primeiro banco suíço e europeu, UBS. Apesar da previsão, esse desaquecimento não chegará a debilitar os mercados financeiros. A estimativa foi feita após elaboração de um relatório sobre as repercussões econômicas que o constante envelhecimento demográfico - decorrente do aumento da expectativa de vida nos países desenvolvidos - pode causar no cenário mundial. Despesas Segundo o estudo, a maior proporção de pessoas que já não produzem faz com que os sistemas de saúde e de previdência social tenham de fazer frente a mais despesas com uma receita - derivada da contribuição das gerações jovens - que não cresce no mesmo ritmo. "A população ativa será reduzida proporcionalmente, enquanto as aposentadorias aumentarão, por isso uma melhor divisão da receita será fundamental para atender às novas necessidades", explicou o relatório. Para o UBS, o retardo da idade de aposentadoria, o prolongamento da jornada de trabalho e o aumento do número de trabalhadores imigrantes serão acompanhados por um "necessário aumento das contribuições da população ativa (mais impostos)". Nesse sentido, população terá cada vez menos capacidade para consumir tudo o que produz e "nem sequer os instrumentos financeiros mais engenhosos poderão alterar essa tendência". Contudo, a taxa de poupança das economias industrializadas vai ser reduzida, o que desacelerará o crescimento econômico desses países. Compensação No entanto, esses impactos negativos serão, em certa medida, compensados pelo desenvolvimento de novos produtos e serviços específicos para a população de mais idade. Segundo o relatório, isso permitirá "a inovação, a evolução e o fortalecimento" de novos setores econômicos. Mercados financeiros Os analistas afirmaram que o efeito que o envelhecimento pode ter na economia mundial não afetará os mercados financeiros, já que a falta de poupança para investir será compensada por outros fatores - como a diversificação geográfica dos lucros. "As empresas investirão mais no exterior e aumentarão o grau de diversificação geográfica de suas estruturas de venda e despesas", o que permitirá que "os lucros estejam cada vez menos ligados à evolução econômica do país de origem", apontou o relatório. Outros fatores que contribuirão são, segundo o UBS, a progressiva integração dos mercados de capitais de todo o mundo e a aparição de novos instrumentos de investimento para responder às demandas dos aposentados. Nesse sentido, os analistas explicaram que em muitos países se reforçará a cultura dos investimentos em bolsas de valores e na área financeira para completar as prestações públicas. Além disso, as taxas de juros serão cada vez mais afetadas pela globalização do fluxo de capitais, que permite que a poupança se transfira de um país para outro. A redução da poupança nos países desenvolvidos, provocada pela queda proporcional da população ativa - que fará com que as taxas de juros tendam a aumentar - deverá ser freada nos países não industrializados, devido ao processo inverso.

Agencia Estado,

05 Abril 2006 | 10h50

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